Alimentos ultraprocessados na dieta de pessoas vivendo com vírus da imunodeficiência humana e risco metabólico
DOI:
https://doi.org/10.62827/nb.v24i4.3077Palabras clave:
Alimentos Ultraprocessados; Antropometria; Estresse Metabólico; HIV; Terapia Antirretroviral.Resumen
Introdução: Pesquisas sugerem que o acúmulo de gordura na região tronco superior em pessoas com vírus da imunodeficiência humana (HIV), e uma alimentação inadequada e estilos de vida pouco saudáveis, contribuem para o aumento da mortalidade por doenças crônicas não transmissíveis nesse público. Contudo, investigações abrangendo o consumo de alimentos ultraprocessados por esses indivíduos são escassas. Objetivo: Avaliou-se o consumo dietético de alimentos ultraprocessados (AUPs) em pessoas com HIV e investigou-se a possível associação com o risco metabólico. Métodos: Estudo transversal envolvendo 200 adultos com HIV. Dados demográficos e clínicos foram coletados por meio de formulários e prontuários. O consumo alimentar foi investigado por recordatório de 24h, sendo os alimentos agrupados quanto ao nível de processamento utilizando-se a classificação “NOVA”. O risco metabólico foi investigado a partir da circunferência do pescoço (CP), a qual foi classificada em “normal” ou “aumentada”. Resultados: O consumo de ultraprocessados foi expressivo (17,37% das calorias da dieta), destacando-se a ingestão de biscoitos, salgados, linguiças e refrigerantes. Evidenciou-se alta prevalência, com 29,5% (N = 59), de indivíduos com risco metabólico. Pessoas com CP aumentada apresentaram também maiores proporções de excesso de peso (98,31%; p < 0,001). Apesar da elevada prevalência, o risco metabólico foi independente do consumo de ultraprocessados neste estudo, observando-se ausência de associação estatística entre sua contribuição energética e circunferência do pescoço (p > 0,05). Conclusão: O alto consumo de alimentos ultraprocessados e as elevadas proporções de pessoas com excesso de peso e risco metabólico indicam a necessidade de intervenção nutricional em pessoas com HIV, visando a prevenção de doenças crônicas.
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