Perfil epidemiológico dos nascidos vivos com microcefalia em Minas Gerais (2021-2025): implicações para a atenção multiprofissional e fisioterapêutica
DOI:
https://doi.org/10.62827/fb.v27i5.1210Palavras-chave:
Microcefalia; Crianças; Fisioterapia.Resumo
Introdução: A microcefalia é uma malformação congênita caracterizada pela redução do perímetro cefálico em relação aos valores esperados para a idade gestacional e o sexo, refletindo alterações no desenvolvimento do sistema nervoso central. Objetivo: Descreveu-se o perfil epidemiológico das crianças nascidas vivas com Microcefalia no estado de Minas Gerais entre os anos de 2021 e 2025 relacionando esses achados com o papel da Fisioterapia. Métodos: Trata-se de um estudo ecológico, descritivo, de natureza quantitativa, por meio do Painel Monitoramento de Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas, tendo a coleta dos dados feita no mês de julho de 2026, sendo o período de análise entre 2021 e 2025, adotando as variáveis: número de nascidos vivos com Microcefalia, grupo etário da mãe, tipo de parto e sexo dos nascidos vivos com Microcefalia. Resultados: Analisou-se 116 casos de nascidos vivos com microcefalia em Minas Gerais entre 2021 e 2025. Observou-se distribuição anual relativamente homogênea, com maior frequência em 2024 (22,41%), seguido por 2022 e 2025 (20,69% cada). Quanto à faixa etária materna, houve predominância de casos entre mães de 20 a 24 anos (28,45%), seguida pela faixa de 35 a 39 anos (21,55%). Em relação ao tipo de parto, verificou-se maior ocorrência de cesarianas (67,24%), enquanto o parto vaginal correspondeu a 32,76% dos registros. A distribuição por sexo demonstrou discreta predominância do feminino (53,45%) em comparação ao masculino (46,55%). Os achados reforçam que a microcefalia apresenta etiologia multifatorial, envolvendo fatores genéticos, infecciosos, ambientais e gestacionais, não sendo possível atribuir sua ocorrência a um único fator epidemiológico. A concentração dos casos em determinadas faixas etárias maternas deve ser interpretada considerando a distribuição dos nascimentos por idade e a influência de fatores associados, como condições pré-natais, exposição a agentes teratogênicos e infecções congênitas. A elevada frequência de cesarianas pode estar relacionada ao maior acompanhamento de gestações de risco e ao planejamento do nascimento em serviços especializados. Nesse contexto, a fisioterapia destaca-se na assistência dessas crianças, especialmente por meio da estimulação precoce, prevenção de limitações funcionais, promoção do desenvolvimento neuropsicomotor e melhora da qualidade de vida. Conclusão: A análise epidemiológica dos nascidos vivos com microcefalia em Minas Gerais entre 2021 e 2025 demonstrou manutenção dos casos ao longo do período, com predomínio entre mães de 20 a 24 anos, parto cesárea e discreta predominância do sexo feminino. Os resultados evidenciam a necessidade de fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica, qualificação do pré-natal e acompanhamento multiprofissional contínuo. A atuação fisioterapêutica é fundamental no cuidado integral dessas crianças, contribuindo para o desenvolvimento motor, funcionalidade e inclusão social.
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