Autismo: Afetividade, comunicação simbólica e brincar no Espectro Autista
DOI:
https://doi.org/10.62827/ei.v14i1.1013Palavras-chave:
Autismo; Brincar; Inclusão Escolar; Transtorno do Espectro Autista.Resumo
Este artigo apresenta uma revisão da literatura sobre afetividade e capacidade simbólica no Transtorno do Espectro Autista (TEA), com ênfase nas dificuldades socioafetivas, na atenção conjunta, no brincar e na inclusão escolar. A discussão apoia-se em autores do campo do autismo, do desenvolvimento infantil e da psicanálise, buscando compreender de que modo alterações na intersubjetividade secundária e na comunicação simbólica repercutem nas relações familiares, escolares e terapêuticas. Também são abordadas as contribuições do brincar para o desenvolvimento global da criança autista e a importância da participação da família no ambiente domiciliar. A literatura revisada sugere que o brincar constitui importante via de comunicação, favorece vínculos afetivos e pode ampliar possibilidades de interação social, expressão simbólica e aprendizagem. Conclui-se que o acompanhamento precoce, o investimento nas relações afetivas e a valorização de experiências lúdicas são elementos relevantes no cuidado e na inclusão da criança com TEA; contudo, por se tratar de uma revisão não sistematizada e de base predominantemente teórica, os achados devem ser compreendidos como uma contribuição interpretativa, o que indica a necessidade de estudos empíricos que aprofundem essas relações.
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