Desigualdades sociais, funcionalidade e qualidade de vida em pessoas idosas na Atenção Primária em Saúde
DOI:
https://doi.org/10.62827/gb.v2i2.0013Palavras-chave:
Envelhecimento; Fatores socioeconômicos; Epidemiologia Social; Qualidade de Vida.Resumo
Objetivo: Investigar as desigualdades sociais nas relações entre indicadores de capacidade funcional e qualidade de vida em pessoas idosas usuários da Atenção Primária em Saúde (APS). Métodos: Estudo transversal com amostra representativa de 201 pessoas idosas usuárias da Atenção Primária em Saúde (APS) de um município mineiro. Os indicadores de capacidade funcional foram mobilidade, mobilidade com dupla tarefa motora e cognitiva, força de preensão palmar e força de membros inferiores. A qualidade de vida foi avaliada pelo World Health Organization Quality of Life-Brief Version (WHOQOL-BREF) com 26 itens, sendo calculado o escore total e por domínios. As desigualdades sociais investigadas envolvem sexo, faixa etária, escolaridade e suficiência de renda. Foram realizados teste t Student e Correlação de Pearson, com significância de 5%, além de análises descritivas. Resultados: A amostra caracterizou-se por maioria do sexo feminino (77,1%;n=155), com idade entre 60 e 74 anos (79,1%;n=159), com menor escolaridade (54,7%;n=110) e insuficiência de renda (67,2%;n=135). Os indicadores de capacidade funcional se correlacionaram com qualidade de vida entre as pessoas idosas mais jovens, as mulheres, aqueles com maior escolaridade e com renda insuficiente. Conclusão: Existem desigualdades sociais nas relações entre indicadores de capacidade funcional e qualidade de vida, especialmente quanto ao sexo e suficiência de renda, demonstrando que entre mulheres e aqueles com renda insuficiente o declínio da capacidade funcional pode ter maior impacto na qualidade de vida. Os testes de mobilidade com dupla tarefa motora e cognitiva podem contribuir para o monitoramento eficaz da funcionalidade e a prevenção do seu declínio em pessoas idosas atendidas na Atenção Primária em Saúde.
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