Cirurgia refrativa: até onde a tecnologia consegue corrigir a visão?
DOI:
https://doi.org/10.62827/fb.v27i10.1346Palavras-chave:
Procedimentos Cirúrgicos Oftalmológicos; Erros cirúrgicos; Oftalmologia.Resumo
Introdução: A cirurgia refrativa representa um importante avanço da oftalmologia moderna, permitindo a correção de diferentes erros refrativos por meio de técnicas progressivamente mais precisas e individualizadas. Procedimentos como ceratectomia fotorrefrativa (PRK), ceratomileuse assistida por laser in situ (LASIK) e extração de lentículo por pequena incisão (SMILE), associados a tecnologias de topografia, tomografia e aberrometria, ampliaram as possibilidades de tratamento da miopia, hipermetropia e astigmatismo. Entretanto, a capacidade de correção permanece condicionada às características anatômicas e biomecânicas do olho. Objetivo: Descreveu-se a evolução da cirurgia refrativa, suas principais técnicas, possibilidades de correção, limitações e desafios atuais, destacando até onde a tecnologia pode modificar o sistema óptico ocular com segurança e previsibilidade. Trata-se de uma revisão narrativa, descritiva e qualitativa da literatura sobre cirurgia refrativa. Métodos: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, com abordagem qualitativa e finalidade descritiva, voltada à análise das evidências científicas sobre cirurgia refrativa e correção dos erros refrativos. A busca foi realizada entre 1998 e 2025 nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Scopus, utilizando descritores relacionados à lentes intraoculares fácicas e as condições oftalmológicas, como miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia AND e OR. Após a análise das referências e dos conteúdos disponíveis, as informações foram organizadas conforme autoria, ano, objetivo, delineamento e principais achados. A síntese foi conduzida de maneira descritiva e interpretativa, com ênfase na comparação das técnicas cirúrgicas, nas indicações clínicas, nos resultados visuais, na segurança dos procedimentos e nos fatores que influenciam a escolha terapêutica. Resultados: A evolução tecnológica permitiu maior precisão no planejamento e na execução dos procedimentos refrativos, possibilitando tratamentos personalizados de diferentes graus de miopia, hipermetropia e astigmatismo. A avaliação pré-operatória detalhada, incluindo análise da espessura, curvatura, topografia e biomecânica corneanas, tornou-se fundamental para a seleção dos pacientes. Em graus elevados, alternativas como lentes intraoculares fácicas podem ampliar as possibilidades terapêuticas. Apesar dos avanços, permanecem limitações relacionadas à qualidade visual, aberrações ópticas, superfície ocular, biomecânica corneana e presbiopia. Efeitos adversos como olho seco, halos e alterações da visão noturna também podem ocorrer. Conclusão: A cirurgia refrativa apresenta elevada capacidade de reduzir a dependência de correção óptica, mas não é capaz de reproduzir integralmente a função visual natural em todas as condições. Seus limites são determinados pela interação entre tecnologia, anatomia ocular, segurança e resposta biológica individual.
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