Perfil epidemiológico da morbidade por demência no Brasil (2016-2025)
DOI:
https://doi.org/10.62827/fb.v27i7.1237Palabras clave:
Demência; Morbidade; Epidemiologia; Fisioterapia.Resumen
Introdução: A demência representa um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI em virtude do acelerado envelhecimento populacional e do aumento da expectativa de vida. Objetivo: Descreveu-se o perfil epidemiológico da morbidade hospitalar por demência no Brasil, no período de 2016 a 2025, considerando a distribuição das internações segundo região geográfica, faixa etária, sexo, raça/cor e caráter de atendimento, bem como discutir, com base na literatura científica, a importância da fisioterapia na manutenção da funcionalidade, prevenção de incapacidades e promoção da qualidade de vida de pessoas com demência. Métodos: Trata-se de um estudo de natureza epidemiológica transversal, realizado por meio da análise de dados secundários provenientes do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), referentes às internações por demência no Brasil entre 2016 e 2025. Foram analisadas as variáveis: ano de processamento, região, faixa etária, cor/raça e sexo. Os dados foram organizados em frequências absolutas e relativas, permitindo a caracterização do perfil epidemiológico da morbidade hospitalar. Resultados: No período analisado foram registradas 30.623 internações por demência no Brasil, com tendência crescente ao longo da série histórica, passando de 2.649 (8,65%) em 2016 para 4.088 (13,35%) em 2025, com redução temporária em 2020, possivelmente relacionada aos impactos da pandemia de COVID-19 sobre a utilização dos serviços de saúde. A Região Sudeste concentrou o maior número de internações (17.226; 56,25%), seguida pelas regiões Sul (23,61%) e Nordeste (10,41%). Observou-se predominância entre indivíduos com 80 anos ou mais (27,96%), seguidos pelas faixas de 70 a 79 anos (22,24%) e 60 a 69 anos (16,34%), evidenciando maior ocorrência em idosos. Quanto à raça/cor, houve maior frequência entre pessoas autodeclaradas brancas (45,87%), seguidas pelas pardas (29,51%), enquanto o sexo feminino apresentou discreto predomínio (50,4%). Esses achados corroboram a literatura ao demonstrar a influência do envelhecimento populacional e da maior expectativa de vida sobre o aumento da morbidade por demência, além de evidenciarem desigualdades regionais e sociodemográficas. Nesse contexto, a fisioterapia destaca-se como importante estratégia não farmacológica para manutenção da funcionalidade, prevenção de quedas, melhora da mobilidade, do equilíbrio e da independência nas atividades de vida diária, contribuindo para reduzir complicações e preservar a qualidade de vida das pessoas com demência. Conclusão: A morbidade hospitalar por demência apresentou tendência crescente no Brasil entre 2016 e 2025, acometendo principalmente idosos, indivíduos residentes na Região Sudeste, pessoas autodeclaradas brancas e mulheres. Os resultados reforçam a necessidade de fortalecimento das políticas públicas voltadas ao envelhecimento saudável, ao diagnóstico precoce e à assistência integral às pessoas com demência. A fisioterapia aparece como componente essencial da reabilitação, promovendo preservação da capacidade funcional, prevenção de incapacidades e melhoria da qualidade de vida, contribuindo para um cuidado mais integral e para a redução do impacto da doença sobre os pacientes, seus familiares e o sistema de saúde.
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