Fisioterapia na prevenção de sequelas musculoesqueléticas em pacientes em uso crônico de psicotrópicos: Uma revisão de literatura

Autores

DOI:

https://doi.org/10.62827/fb.v26i6.1128

Palavras-chave:

Psicotrópicos; Técnicas de Fisioterapia; Serviços de Fisioterapia; Medicina Funcional.

Resumo

Introdução: O uso crônico de psicotrópicos está associado a importantes repercussões musculoesqueléticas, incluindo redução de força, alterações posturais, perda de densidade óssea, aumento do risco de quedas e comprometimento funcional. Essas alterações decorrem da interação entre efeitos farmacológicos, fatores biopsicossociais e sedentarismo secundário, demandando uma abordagem interdisciplinar que integre fisioterapia, medicina e estratégias educativas para prevenir e minimizar sequelas. Objetivo: Analisou-se o impacto da integração entre fisioterapia e medicina na prevenção e no manejo das sequelas musculoesqueléticas em pacientes em uso prolongado de psicotrópicos, identificando estratégias eficazes de reabilitação, protocolos funcionais e mecanismos colaborativos de cuidado. Métodos: Trata-se de uma revisão bibliográfica descritiva e analítica, baseada em publicações nacionais e internacionais obtidas nas bases Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), PubMed e Scopus. Foram incluídos 11 estudos publicados entre 2016 e 2025, selecionados pela relevância para os efeitos musculoesqueléticos dos psicotrópicos, risco de quedas, perda óssea, alterações motoras e abordagens interdisciplinares voltadas à prevenção desses desfechos. Resultados: As evidências apontam que programas estruturados envolvendo exercícios resistidos, treinamento de equilíbrio, fortalecimento de membros inferiores, reeducação motora e educação em saúde reduzem significativamente o impacto funcional dos psicotrópicos. Intervenções associadas ao acompanhamento médico, incluindo monitoramento de efeitos colaterais, ajuste farmacológico e avaliação de risco metabólico e ósseo, demonstraram prevenir quedas, minimizar perdas de densidade mineral óssea e melhorar a mobilidade. Modelos multidisciplinares, suporte educacional e estratégias de continuidade do cuidado, inclusive por telerreabilitação, mostraram-se determinantes para adesão, engajamento e manutenção dos resultados. Conclusão: A abordagem interdisciplinar entre fisioterapia e medicina é fundamental para prevenir sequelas musculoesqueléticas em usuários crônicos de psicotrópicos. Protocolos individualizados e sustentados por evidências, combinando exercícios terapêuticos, acompanhamento clínico contínuo e estratégias biopsicossociais, favorecem a preservação da funcionalidade, a estabilidade postural e a autonomia. Esse modelo colaborativo reafirma a importância da integração profissional e do cuidado centrado no paciente como pilares essenciais da reabilitação musculoesquelética contemporânea.

Biografia do Autor

  • Marcele Zago Marcolan, UVV

    Graduada em Medicina na Universidade Vila Velha (UVV), Vila Velha, ES, Brasil

  • Julia Torres Rocha , UVV

    Graduada em Medicina na Universidade Vila Velha (UVV), Vila Velha, ES, Brasil 

  • Anna Flavia Vieira Pinto, UVV

    Graduada em Medicina na Universidade Vila Velha (UVV), Vila Velha, ES, Brasil 

  • Camila Pereira Morbelli , UVV

    Graduada em Medicina na Universidade Vila Velha (UVV), Vila Velha, ES, Brasil 

  • Maria Vitória Guerini Novaes , UVV

    Graduada em Medicina na Universidade Vila Velha (UVV), Vila Velha, ES, Brasil 

  • Isadora Schwartz Meireles , UVV

    Graduada em Medicina na Universidade Vila Velha (UVV), Vila Velha, ES, Brasil 

  • Virginia Modenesi, UVV

    Graduada em Medicina na Universidade Vila Velha (UVV), Vila Velha, ES, Brasil 

  • Júlia Moreno Castro de Oliveira, UVV

    Graduada em Medicina na Universidade Vila Velha (UVV), Vila Velha, ES, Brasil 

Referências

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Publicado

12/30/2025

Como Citar

Fisioterapia na prevenção de sequelas musculoesqueléticas em pacientes em uso crônico de psicotrópicos: Uma revisão de literatura. (2025). Fisioterapia Brasil, 26(6), 2902-2912. https://doi.org/10.62827/fb.v26i6.1128

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