Associação entre disfunção diafragmática e desmame ventilatório em pacientes críticos: Uma revisão integrativa
DOI:
https://doi.org/10.62827/fb.v27i9.1334Palavras-chave:
Desmame do Respirador; Diafragma; Modalidades de Fisioterapia; Ultrassonografia; Unidades de Terapia Intensiva.Resumo
Introdução: A ventilação mecânica invasiva constitui um recurso fundamental no suporte de pacientes críticos; entretanto, sua utilização pode estar acompanhada por alterações estruturais e funcionais da musculatura respiratória, especialmente do diafragma. A disfunção diafragmática pode estar relacionada a dificuldades durante o processo de desmame ventilatório, tornando relevante sua avaliação no acompanhamento da recuperação da respiração espontânea. Nesse contexto, a ultrassonografia diafragmática e estratégias fisioterapêuticas direcionadas à musculatura respiratória, como o treinamento muscular inspiratório, têm sido investigadas como recursos para avaliação e intervenção durante a ventilação mecânica. Objetivo: Analisar a associação da disfunção diafragmática com o desmame ventilatório de pacientes críticos, considerando sua relação com o sucesso ou a falha do desmame, os métodos de avaliação da função diafragmática e as estratégias fisioterapêuticas direcionadas à musculatura respiratória. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de caráter descritivo e analítico, conduzida conforme o referencial metodológico de Whittemore e Knafl. As buscas foram realizadas entre agosto e setembro de 2026 nas bases Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), National Library of Medicine (PubMed/MEDLINE), Scopus e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Foram estabelecidos critérios de elegibilidade contemplando estudos primários, experimentais ou observacionais, publicados entre 2011 e 2025 em português, inglês ou espanhol, com pacientes adultos críticos em ventilação mecânica invasiva e avaliação da função diafragmática, do desmame ventilatório e/ou de estratégias fisioterapêuticas direcionadas à musculatura respiratória. A seleção seguiu etapas independentes por dois revisores, com um terceiro revisor para resolução de discordâncias, e o processo foi apresentado conforme o PRISMA. A síntese foi narrativa e comparativa, com análise separada dos estudos observacionais e dos estudos de intervenção, sem o emprego de escores formais de qualidade. Revisões e demais estudos secundários foram excluídos. Resultados: Foram incluídos 12 estudos primários, sendo quatro ensaios clínicos randomizados e oito estudos observacionais, selecionados a partir de 176 registros identificados, dos quais 31 duplicados foram removidos. Após a triagem de 145 títulos e resumos, 41 artigos foram avaliados na íntegra e 29 foram excluídos. Os estudos analisados identificaram relações entre parâmetros da função diafragmática e diferentes desfechos do desmame ventilatório, incluindo desempenho no teste de respiração espontânea, duração da ventilação mecânica e ocorrência de falha do desmame. A ultrassonografia diafragmática foi o principal método de avaliação investigado, com análise de parâmetros como excursão, espessura e fração de espessamento. Entretanto, sua capacidade de predizer isoladamente a falha da extubação não foi uniforme entre os estudos. O treinamento muscular inspiratório apresentou resultados favoráveis sobre parâmetros de força muscular respiratória e, em determinados contextos, associou-se à redução do tempo de ventilação mecânica. Contudo, não produziu efeitos uniformes sobre a duração do desmame, nem diferenças entre os protocolos de treinamento comparados. Conclusão: A disfunção diafragmática apresenta relação com diferentes aspectos do desmame ventilatório em pacientes críticos, podendo fornecer informações complementares para a avaliação da capacidade de reassumir a respiração espontânea. A avaliação ultrassonográfica e o treinamento muscular inspiratório constituem estratégias investigadas nesse contexto, mas seus resultados devem ser interpretados em conjunto com as condições clínicas e respiratórias do paciente. A heterogeneidade dos métodos e dos desfechos reforça a necessidade de estudos futuros com maior padronização dos protocolos de avaliação e intervenção.
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