Associação entre imobilidade prolongada e complicações clínicas de pacientes hospitalizados: Uma revisão integrativa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.62827/fb.v27i9.1313

Palavras-chave:

Debilidade Muscular; Hospitalização; Mobilização Precoce; Pacientes Internados.

Resumo

Introdução: A imobilidade prolongada constitui uma condição frequente durante a hospitalização e está associada a importantes repercussões sobre a saúde dos pacientes, especialmente quando ocorre em indivíduos com doença aguda, idade avançada ou baixa reserva funcional. A permanência prolongada no leito pode favorecer perda de força e massa muscular, descondicionamento físico, redução da capacidade funcional, comprometimento da independência e desenvolvimento de complicações clínicas, incluindo trombose venosa profunda e outras consequências relacionadas à redução da atividade física. Nesse contexto, a identificação precoce da imobilidade e a implementação de estratégias de mobilização e reabilitação apresentam relevância para a prevenção de complicações e para a recuperação funcional dos pacientes hospitalizados. Objetivo: Analisar as evidências disponíveis sobre a associação entre a imobilidade prolongada e as complicações em pacientes hospitalizados, bem como a contribuição da fisioterapia e da mobilização precoce na prevenção e mitigação dessas repercussões. Métodos: Trata-se de uma revisão bibliográfica descritiva e analítica, conduzida por meio de uma revisão integrativa da literatura. Foram consultadas as bases Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), National Library of Medicine (PubMed), SciVerse Scopus (Scopus) e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Foram identificados 312 estudos, dos quais 64 registros duplicados foram removidos. Após a triagem de títulos e resumos, 45 artigos foram avaliados na íntegra e, conforme os critérios de elegibilidade estabelecidos, 12 estudos foram incluídos na revisão. Foram contempladas evidências publicadas entre 2008 e 2023, incluindo estudos observacionais, ensaios e estudos experimentais, revisões sistemáticas, revisões de escopo e metanálises, abordando imobilidade hospitalar, repouso prolongado no leito, perda de força muscular, descondicionamento, complicações vasculares, mobilização precoce e reabilitação fisioterapêutica. Resultados: Os estudos analisados sugeriram que a imobilidade prolongada está associada a importantes repercussões musculoesqueléticas e funcionais, incluindo perda de massa e força muscular, atrofia, redução da capacidade física e descondicionamento. Entre pacientes hospitalizados, a baixa mobilidade também esteve relacionada a complicações clínicas, com destaque para a associação entre imobilidade e ocorrência de trombose venosa profunda. Estudos realizados em unidades de terapia intensiva indicaram que programas de mobilização e reabilitação precoce podem favorecer a recuperação funcional e reduzir os efeitos do desuso, enquanto pesquisas que quantificaram a atividade física durante a hospitalização demonstraram predominância de períodos sentados ou deitados e reduzido tempo de permanência em pé ou caminhando. As evidências experimentais sobre bed rest reforçaram a ocorrência de alterações musculares significativas decorrentes do desuso, embora sua aplicação direta à população hospitalizada deva ser interpretada com cautela. Conclusão: Os achados desta revisão sugerem que a imobilidade prolongada representa importante fator associado à deterioração funcional e ao desenvolvimento de complicações clínicas durante a hospitalização. A perda de força e massa muscular, o descondicionamento e a redução da independência funcional constituem repercussões relevantes, enquanto a imobilidade também pode estar associada a complicações vasculares, especialmente em pacientes clínicos agudos. Estratégias de mobilização precoce, fisioterapia e reabilitação individualizada podem contribuir para a preservação da funcionalidade e para a recuperação dos pacientes, particularmente no contexto de cuidados intensivos. Entretanto, a heterogeneidade das populações, dos períodos de imobilidade, dos protocolos de intervenção e dos desfechos avaliados, além da presença de evidências indiretas provenientes de estudos experimentais de bed rest, limita a generalização dos resultados. Dessa forma, os achados devem ser interpretados como evidências de uma associação relevante entre imobilidade prolongada, declínio funcional e complicações clínicas, reforçando a necessidade de estratégias multiprofissionais destinadas à prevenção e redução dos efeitos do repouso prolongado durante a hospitalização.

Biografia do Autor

  • Soraya de Paula Almeida Rezende, Universidade Iguaçu

    Especialista em Clínica Médica pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica RQE 58533, São Paulo, SP, Brasil

     

  • Marcela Carneiro Rabello Teixeira , FCMMG

    Médica pela Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG), Belo Horizonte, MG, Brasil

  • Camila Alves Vieira Silva , FCMMG

    Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG), Belo Horizonte, MG, Brasil

  • Ana Laura Henriques Araujo Ferreira, FCMMG

    Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG), Belo Horizonte, MG, Brasil

  • Luísa Oliveira Santos da Mata, Centro Universitário Faminas

    Médica pelo Centro Universitário Faminas, Belo Horizonte, MG, Brasil

Referências

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Publicado

2026-10-14

Como Citar

Associação entre imobilidade prolongada e complicações clínicas de pacientes hospitalizados: Uma revisão integrativa. (2026). Fisioterapia Brasil, 27(9), 5730-5752. https://doi.org/10.62827/fb.v27i9.1313

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