Sindicalismo e a formação da consciência crítica dos profissionais de enfermagem em Alagoas (1992–2009)
DOI:
https://doi.org/10.62827/eb.v25i1.4210Palavras-chave:
História da Enfermagem; Sindicatos; Conscientização; Condições de Trabalho; Capitalismo.Resumo
Introdução: O trabalho dos auxiliares e técnicos de enfermagem (ATE) no Brasil é historicamente marcado por precarização, baixa valorização salarial e limitado reconhecimento político. A organização sindical alagoana emergiu como resposta coletiva a essas condições, configurando resistência à hegemonia patronal. À luz do referencial gramsciano, a ação sindical constitui estratégia contra-hegemônica para articular direitos trabalhistas e promover consciência política dos trabalhadores. O sindicalismo dos ATE permanece sub-representado na produção científica brasileira. Objetivo: Descrever o sindicalismo dos ATE em Alagoas (1992–2009), compreendendo suas ações como estratégia contra-hegemônica voltada à melhoria das condições de trabalho e à construção da consciência política da categoria. Métodos: Estudo qualitativo, histórico-social, com análise de fontes documentais e orais de seis ATE. Participantes selecionados por amostragem intencional; entrevistas semiestruturadas audiogravadas e transcritas integralmente. Análise de conteúdo temática orientada pelo referencial gramsciano. Resultados: O sindicato atuou como espaço de organização coletiva, promovendo mobilizações, greves e ações políticas que ampliaram a conscientização dos trabalhadores. As mudanças de diretoria expressaram continuidade política e liderança feminina estratégica. A inserção no Movimento Unificado dos Trabalhadores da Saúde ampliou a articulação na sociedade civil alagoana. A música nas greves emergiu como instrumento cultural contra-hegemônico de coesão coletiva e confronto às relações de exploração em saúde. Conclusão: O sindicalismo dos ATE em Alagoas exerceu papel relevante na luta por direitos trabalhistas e no reconhecimento da categoria, configurando práticas contra-hegemônicas que superaram reivindicações econômicas imediatas e contribuíram para a formação da consciência política dos trabalhadores de nível médio.
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