Existe saúde coletiva sem justiça socioambiental e climática?
DOI:
https://doi.org/10.62827/eb.v25i1.4207Palavras-chave:
Saúde Coletiva; Justiça Ambiental; Mudanças Climáticas; Determinantes Sociais da Saúde; Indicadores de Desenvolvimento Sustentável.Resumo
A saúde coletiva compreende o processo saúde–doença como resultado das condições sociais, econômicas, políticas e ambientais que estruturam a vida em sociedade. Em um contexto marcado pela intensificação da degradação ambiental e pela crise climática global, torna-se necessário questionar se é possível promover saúde coletiva sem enfrentar as desigualdades socioambientais que produzem adoecimento em escala populacional. Este artigo tem como objetivo discutir criticamente as interrelações entre ambiente, desigualdade e saúde, destacando a centralidade da justiça socioambiental e climática para a promoção da saúde no século XXI. Trata-se de um ensaio teórico-analítico fundamentado na tradição crítica da saúde coletiva latino-americana, construído a partir de uma revisão narrativa da literatura científica e de documentos institucionais sobre determinantes sociais da saúde, justiça ambiental e mudanças climáticas. A análise evidencia que os impactos ambientais e climáticos se distribuem de forma desigual nos territórios, afetando com maior intensidade populações historicamente vulnerabilizadas, como povos indígenas, comunidades tradicionais, trabalhadores rurais e moradores de periferias urbanas. Esses processos ampliam riscos sanitários, incluindo doenças infecciosas, agravos respiratórios, insegurança alimentar, sofrimento psíquico e deslocamentos populacionais. Argumenta-se que a crise climática deve ser compreendida não apenas como um problema ambiental, mas também como uma crise sanitária, social e ética. Conclui-se que não há saúde coletiva sem justiça socioambiental e climática, uma vez que a promoção da saúde depende da garantia de ambientes ecologicamente equilibrados, da redução das desigualdades sociais e da implementação de políticas públicas intersetoriais orientadas pela equidade territorial e pela sustentabilidade.
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