Análise da mortalidade materna no Brasil: Tendências, causas e disparidades regionais entre 2018 e 2023
DOI:
https://doi.org/10.62827/fb.v27i3.1162Palavras-chave:
Morte Materna; COVID-19; Indicadores de Desigualdade em Saúde.Resumo
Introdução: O óbito materno é definido como a morte de mulheres durante a gestação ou dentro de um período de 42 dias após o parto, sendo um fenômeno que reflete a desorganização e baixa qualidade assistencial nos serviços de saúde. Objetivo: Analisou-se as taxas de óbitos maternos e suas causas no território brasileiro no período entre 2018 e 2023 e a distribuição geográfica do risco dessas mortes. Métodos: Estudo ecológico transversal, que analisou os óbitos maternos entre 2018 e 2023 no Brasil através de dados secundários registrados nas bases públicas do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) do DATASUS. Foi realizada a análise descritiva, assim como calculadas as proporções anuais para cada causa de mortalidade materna através da Análise de Componentes Principais (PCA), além de calculadas as taxas de riscos da Razão de Mortalidade Materna (RMM) pela Razão de Incidência Espacial (RIE). Resultados: A taxa de mortalidade materna foi mais elevada em 2021, período do COVID-19, alinhada com a maior causa de morte, por infecções ou parasitárias, seguida por causas clássicas, como distúrbios hipertensivos. A RMM e a análise de risco regional pela RIE destacaram que o Norte e Nordeste apresentaram continuamente as maiores taxas e risco de mortalidade materna. Conclusão: A mortalidade materna teve aumento expressivo em 2021, influenciada pela pandemia de COVID-19, porém causas obstétricas clássicas, como a eclâmpsia, mantiveram-se constantes no período. As maiores taxas no Norte e Nordeste evidenciam desigualdades socioeconômicas persistentes. Reforça-se a necessidade de fortalecer o pré-natal e reduzir iniquidades regionais para reduzir a mortalidade materna.
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