Aspectos epidemiológicos, hospitalizações e mortalidade por Infarto Agudo do Miocárdio no Brasil: Uma revisão integrativa
DOI:
https://doi.org/10.62827/fb.v27i9.1343Palavras-chave:
Infarto Agudo do Miocárdio; Epidemiologia; Hospitalização; Mortalidade; Reabilitação Cardiovascular.Resumo
Introdução: O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) constitui importante problema de saúde pública no Brasil, associado à elevada morbimortalidade e à expressiva demanda por assistência hospitalar. Embora existam estudos sobre seu perfil epidemiológico, diferenças nas populações, fontes de dados e indicadores utilizados dificultam a comparação dos resultados, evidenciando a necessidade de uma síntese crítica das evidências disponíveis. Objetivo: Analisar criticamente as evidências científicas acerca do perfil epidemiológico do IAM no Brasil, com ênfase nas hospitalizações, mortalidade, evolução temporal dos indicadores e distribuição sociodemográfica e regional, identificando convergências, divergências e limitações metodológicas entre os estudos. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de natureza qualitativa e descritiva, fundamentada nas etapas metodológicas propostas por Whittemore e Knafl. A busca principal foi realizada em 2 de outubro de 2026 nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando descritores controlados e termos livres relacionados ao IAM, à epidemiologia, à morbimortalidade e ao Brasil. Foram considerados estudos publicados em português, inglês e espanhol, sem delimitação temporal explicitada. Incluíram-se estudos primários observacionais referentes à população brasileira, com resultados relacionados aos indicadores epidemiológicos estabelecidos. Uma busca complementar sobre reabilitação cardiovascular e fisioterapia foi utilizada exclusivamente para contextualização teórica, sem integrar a amostra. A síntese foi descritiva e qualitativa, sem aplicação de instrumento padronizado para avaliação do risco de viés. Resultados: A busca principal identificou 130 registros, sendo 30 na PubMed/MEDLINE, 40 na SciELO e 60 na BVS. Antes da triagem, foram removidos 60 registros duplicados e 20 classificados como tipos documentais não elegíveis. Dos 50 registros triados, 25 foram excluídos. Após a avaliação integral de 25 publicações, 20 foram excluídas, resultando em cinco estudos primários observacionais. Os achados evidenciaram diferenças na distribuição das hospitalizações e dos óbitos por IAM segundo sexo, idade, região e período analisado. Um estudo nacional, referente a 2008–2024, identificou 1.910.231 registros hospitalares e 199.947 óbitos, descrevendo crescimento do indicador de ocorrência e redução da letalidade. Outra investigação registrou 675.374 internações entre 2018 e 2022, com predominância masculina (63,67%), maior concentração na região Sudeste (49,09%) e elevada proporção de atendimentos de urgência (90,84%). Também foram identificados óbitos entre adultos jovens, maior concentração de registros em faixas etárias avançadas e associação ecológica positiva entre desenvolvimento humano municipal e hospitalizações de idosos no Centro-Oeste (r = 0,37; p = 0,011). A heterogeneidade dos indicadores, períodos e fontes de informação limitou a comparabilidade dos resultados. Registros hospitalares não foram considerados equivalentes a casos incidentes na população geral. Conclusão: O IAM apresenta expressiva carga de hospitalizações e mortalidade no Brasil, com diferenças sociodemográficas, territoriais e temporais. Entretanto, a composição reduzida da amostra, a heterogeneidade metodológica, as limitações de cobertura dos sistemas de informação e a ausência de avaliação formal do risco de viés restringem a generalização dos achados. São necessários estudos com indicadores padronizados, denominadores populacionais adequados e maior abrangência territorial para caracterizar com precisão a morbimortalidade por IAM no país. A reabilitação cardiovascular e fisioterapêutica foi abordada exclusivamente como literatura complementar, não permitindo conclusões sobre sua efetividade a partir da amostra analisada.
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