Retinopatia diabética: Repercussões do comprometimento visual sobre a funcionalidade e a qualidade de vida
DOI:
https://doi.org/10.62827/fb.v27i9.1336Palavras-chave:
Retinopatia Diabética; Deficiência Visual; Atividades Diárias; Qualidade de Vida.Resumo
Introdução: A retinopatia diabética constitui uma complicação do diabetes mellitus cujas repercussões podem ultrapassar as alterações oftalmológicas, interferindo na funcionalidade, independência e qualidade de vida. O comprometimento visual pode ocasionar limitações nas atividades cotidianas, mobilidade e participação social, além de repercussões psicológicas e emocionais, tornando relevante uma avaliação multidimensional dos indivíduos acometidos. Objetivo: Analisar as evidências acerca do impacto do comprometimento visual associado à retinopatia diabética sobre a funcionalidade e a qualidade de vida, considerando suas repercussões sobre função visual, atividades da vida diária, mobilidade, independência funcional, participação social e aspectos psicológicos. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de natureza qualitativa e descritiva, fundamentada nas recomendações metodológicas de Whittemore e Knafl e Mendes, Silveira e Galvão. A busca foi realizada em 30 de setembro de 2026 nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). A seleção foi conduzida por dois revisores independentes, mediante triagem por títulos e resumos e posterior leitura dos textos completos, com resolução das divergências por consenso e previsão de participação de terceiro revisor quando necessária. A extração contemplou características metodológicas, população, objetivos, função e comprometimento visual, limitações funcionais, atividades da vida diária, mobilidade, participação social, aspectos psicológicos e qualidade de vida. Resultados: Foram identificados 70 registros, dos quais 20 eram duplicados. Dos 50 registros submetidos à triagem, 20 foram excluídos e 30 avaliados integralmente. Após a exclusão de 18 publicações, 12 estudos compuseram a amostra final. Os estudos incluídos apresentaram diferentes delineamentos, com predomínio de pesquisas observacionais, além de estudo qualitativo, revisão sistemática e revisão sistemática com meta-análise. Os estudos indicaram que maior comprometimento visual e maior gravidade da retinopatia diabética estiveram associados a pior função visual, limitações nas atividades de visão de perto e à distância e nas atividades da vida diária, redução da mobilidade e da independência funcional, menor participação social e pior qualidade de vida, especialmente a relacionada à visão. Também foram identificadas repercussões psicológicas e emocionais, incluindo ansiedade, sintomas depressivos e preocupações relacionadas à perda visual. Nos estudos que avaliaram a evolução clínica, formas mais avançadas da doença, como a retinopatia diabética proliferativa, e alterações mais acentuadas da acuidade visual estiveram relacionadas a maior comprometimento funcional e pior qualidade de vida, enquanto duração do diabetes e controle glicêmico também foram associados a alguns desfechos visuais e funcionais. Em conjunto, esses resultados evidenciam a natureza multidimensional das repercussões da retinopatia diabética, abrangendo dimensões oftalmológicas, funcionais, psicológicas e sociais. Entretanto, a heterogeneidade dos delineamentos, populações e instrumentos de avaliação limitou a comparação direta entre os estudos e a estimativa de uma medida quantitativa única para a magnitude dessas associações. A heterogeneidade dos delineamentos e instrumentos empregados e a possibilidade de sobreposição entre estudos primários e sínteses secundárias devem ser consideradas na interpretação das evidências. Conclusão: A retinopatia diabética está associada a comprometimentos da funcionalidade e da qualidade de vida, sobretudo nos indivíduos com maior perda visual e formas mais graves da doença. As evidências apontam limitações nas atividades cotidianas, mobilidade, independência funcional e participação social, além de pior qualidade de vida relacionada à visão e repercussões psicológicas. Entretanto, os resultados não foram uniformes entre todos os estudos, e a heterogeneidade metodológica limita a definição da magnitude dessas associações. Assim, são necessários estudos longitudinais e metodologicamente mais padronizados para esclarecer com maior precisão a evolução das repercussões funcionais e da qualidade de vida ao longo da progressão da retinopatia diabética.
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