Lúpus eritematoso sistêmico: Relação da fadiga e da fraqueza muscular com a funcionalidade

Autores

DOI:

https://doi.org/10.62827/fb.v27i9.1331

Palavras-chave:

Lúpus Eritematoso Sistêmico; Fadiga; Fraqueza Muscular; Capacidade Funcional; Exercício Físico.

Resumo

Introdução: O lúpus eritematoso sistêmico (LES) pode estar associado a fadiga, redução da força muscular, menor aptidão aeróbica e limitações no desempenho funcional, com possíveis repercussões sobre as atividades de vida diária e a qualidade de vida. Embora revisões recentes tenham investigado os efeitos do exercício físico no LES, permanece relevante integrar evidências sobre a relação entre fadiga, fraqueza muscular e funcionalidade, distinguindo associações observacionais dos efeitos de intervenções. Objetivo: Analisar as evidências disponíveis acerca da relação da fadiga e da fraqueza muscular com a funcionalidade de indivíduos com LES, considerando suas associações com capacidade física, força muscular, desempenho funcional e qualidade de vida, bem como os efeitos do exercício físico sobre esses componentes. Métodos: Revisão integrativa da literatura, de natureza qualitativa e descritiva, com busca realizada em 30 de setembro de 2026 nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). A estratégia foi estruturada nos eixos lúpus eritematoso sistêmico, fadiga e força/fraqueza muscular, funcionalidade, capacidade física e exercício, utilizando descritores MeSH e DeCS e termos livres combinados pelos operadores AND e OR. Foram incluídos estudos em português ou inglês, com texto completo acessível gratuitamente ou por meio institucional, que investigassem adultos com LES e avaliassem fadiga, força ou função muscular, capacidade aeróbica, capacidade física ou funcional, desempenho funcional, atividades de vida diária ou qualidade de vida, além de intervenções baseadas em exercício. A seleção e a extração dos dados foram realizadas por dois revisores de forma independente, com resolução das divergências por consenso. A síntese foi qualitativa e organizada em três eixos: fadiga e funcionalidade; fraqueza muscular, aptidão física e funcionalidade; e efeitos do exercício. Não foi realizada avaliação formal e padronizada do risco de viés ou da qualidade metodológica. Resultados: Doze estudos compuseram a amostra final, incluindo ensaios clínicos randomizados, estudo experimental, estudos observacionais e comparativos, estudo caso-controle, revisões sistemáticas e revisão sistemática com meta-análise. Os estudos observacionais e comparativos indicaram maior fadiga, menor força muscular, menor aptidão aeróbica e pior desempenho funcional em indivíduos com LES, embora as associações entre fadiga e medidas objetivas de força ou metabolismo muscular não tenham sido uniformes. Reduções de força muscular entre aproximadamente 11% e 26% foram descritas em estudo caso-controle, enquanto outro estudo identificou menor VO₂pico, menor duração do exercício e menor força do quadríceps em comparação aos controles. As intervenções por exercício apresentaram benefícios principalmente sobre fadiga, capacidade aeróbica, força muscular, desempenho funcional e alguns domínios da qualidade de vida, porém sem melhora consistente de todos os desfechos ou da atividade da doença. Meta-análise recente mostrou redução da fadiga (g=−0,53; IC95% −0,81 a −0,25) e melhora da função física (g=0,46; IC95% 0,23–0,68) e da capacidade aeróbica (g=0,47; IC95% 0,22–0,71), enquanto a revisão Cochrane apontou baixa ou muito baixa certeza para várias comparações. Conclusão: Fadiga, fraqueza muscular, menor aptidão física e comprometimento funcional apresentam relações relevantes no LES, mas os achados não permitem estabelecer uma cadeia causal única entre esses componentes. O exercício físico mostrou resultados favoráveis sobretudo para fadiga, capacidade aeróbica e alguns aspectos da função física e da qualidade de vida, embora a magnitude e a consistência dos efeitos variem entre os estudos. A heterogeneidade metodológica, a inclusão conjunta de estudos primários e revisões sistemáticas, a possibilidade de sobreposição das evidências, a ausência de avaliação padronizada do risco de viés, a restrição linguística e a exigência de acesso ao texto completo limitam a confiança nas conclusões e reforçam a necessidade de estudos mais padronizados e com acompanhamento em longo prazo.

Biografia do Autor

  • Gustavo Luccidi Xavier , UNIVALE

    Médico CRM-MG 99881, RQE 70565 pela Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE), Governador Valadares, MG, Brasil

  • Luis Felipe Vilella de Paula, FCM-MG

    Médico CRM-MG 118164 pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), Belo Horizonte, MG, Brasil

  • Bruna Estefani Rocha de Brito, Univertix

    Médica pelo Centro Universitário Vértice (Univertix), Matipó, MG, Brasil

  • Carolina Vieira Siena Martins , AFYA Faculdade de Ciências Médicas de Palmas

    Médica pela AFYA Faculdade de Ciências Médicas de Palmas, TO, Brasil

  • Filipe Alves Costa Barbosa, UNEC

    Orientador, Médico CRM-MG 77580, RQE 59297 pelo Centro Universitário de Caratinga (UNEC), Caratinga, MG, Brasil

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Publicado

2026-10-14

Como Citar

Lúpus eritematoso sistêmico: Relação da fadiga e da fraqueza muscular com a funcionalidade. (2026). Fisioterapia Brasil, 27(9), 6035-6061. https://doi.org/10.62827/fb.v27i9.1331

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