Perfil epidemiológico do Acidente Vascular Cerebral e necessidades de reabilitação fisioterapêutica: Uma revisão integrativa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.62827/fb.v27i9.1308

Palavras-chave:

Acidente Vascular Cerebral; Epidemiologia; Mortalidade; Reabilitação; Fisioterapia.

Resumo

Introdução: O Acidente Vascular Cerebral (AVC) constitui importante problema de saúde pública devido à elevada ocorrência de hospitalizações e óbitos, além das repercussões motoras e funcionais entre os sobreviventes. Sua distribuição apresenta diferenças relacionadas à idade, sexo, raça/cor e região geográfica, enquanto as sequelas decorrentes do evento podem comprometer a mobilidade, independência funcional e qualidade de vida, tornando a reabilitação fisioterapêutica relevante na continuidade do cuidado. Objetivo: Analisar as evidências disponíveis na literatura sobre a relação entre o perfil epidemiológico do Acidente Vascular Cerebral e as necessidades de reabilitação fisioterapêutica, considerando as repercussões funcionais e as demandas de recuperação dos indivíduos acometidos. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de natureza qualitativa e descritiva, realizada nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO e BVS. Foram utilizados descritores relacionados a acidente vascular cerebral, epidemiologia, mortalidade, hospitalização, reabilitação e fisioterapia. A busca identificou inicialmente 74 registros; após a remoção de 14 duplicados, 60 estudos foram submetidos à triagem. Destes, 22 foram avaliados em texto completo e, ao final do processo de seleção, oito estudos compuseram a amostra da revisão. Os achados foram analisados de forma descritiva e qualitativa e organizados nos eixos epidemiológico e de reabilitação. Resultados: Os estudos evidenciaram expressiva carga de hospitalizações e mortalidade por AVC, com maior concentração dos registros nas faixas etárias mais avançadas e diferenças segundo sexo, raça/cor e distribuição geográfica. Algumas análises temporais demonstraram redução das taxas de internação ou mortalidade em determinados períodos e localidades, embora os números absolutos permaneçam relevantes. Entre os sobreviventes, foram identificados comprometimentos motores e funcionais capazes de afetar a mobilidade, independência e qualidade de vida. As evidências identificadas apontam possíveis contribuições da fisioterapia para determinados aspectos da recuperação funcional, especialmente por meio de intervenções direcionadas às necessidades funcionais dos indivíduos. Contudo, essa interpretação deve ser realizada com cautela, uma vez que apenas um dos oito estudos incluídos abordou diretamente a atuação fisioterapêutica, enquanto outro investigou o acesso aos serviços de reabilitação. Nesse contexto, foram identificadas desigualdades no acesso à reabilitação, particularmente relacionadas à raça/cor, bem como a influência de fatores sociais, econômicos, familiares e relacionados à adesão ao tratamento. Assim, os achados não permitem estabelecer conclusões abrangentes sobre a efetividade da fisioterapia, mas indicam sua possível contribuição para aspectos específicos da recuperação funcional. Conclusão: O AVC apresenta importantes repercussões epidemiológicas, funcionais e assistenciais, demandando integração entre prevenção, atendimento oportuno e continuidade da assistência após a fase aguda. A fisioterapia constitui componente relevante da reabilitação pós-AVC; contudo, a heterogeneidade dos estudos e o número limitado de investigações específicas sobre intervenções fisioterapêuticas restringem a definição da superioridade de técnicas ou protocolos. Evidencia-se, portanto, a necessidade de ampliar o acesso à reabilitação e desenvolver estudos metodologicamente robustos sobre os desfechos funcionais e as estratégias fisioterapêuticas aplicadas após o AVC.



Biografia do Autor

  • Breno Magalhães Sousa, PUC-MG

    Médico pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), Poços de Caldas, MG, Brasil

  • Juliana Domith de Oliveira Vieira , SUPREMA

    Médica CRM 107753 pela Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora (SUPREMA), Juiz de Fora, MG, Brasil

  • Paola Cunha Vieira, UNIFAA

    Centro Universitário de Valença (UNIFAA), Valença, RJ, Brasil

  • Vitor Augusto Alves da Silva, PUC Minas

    Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Belo Horizonte, MG, Brasil

  • Filipe Alves Costa Barbosa, UNEC

    Orientador, Médico CRM: 77580-MG, RQE: 59297 pelo Centro Universitário de Caratinga (UNEC), Caratinga, MG, Brasil

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Publicado

2026-10-14

Como Citar

Perfil epidemiológico do Acidente Vascular Cerebral e necessidades de reabilitação fisioterapêutica: Uma revisão integrativa. (2026). Fisioterapia Brasil, 27(9), 5577-5599. https://doi.org/10.62827/fb.v27i9.1308

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