O papel do enfermeiro na conscientização dos profissionais de enfermagem ao acolhimento da mulher no processo de entrega voluntária: Uma revisão bibliográfica
DOI:
https://doi.org/10.62827/eb.v25i2.4222Palavras-chave:
Profissionais de Enfermagem; Políticas Públicas em Saúde; Adoção.Resumo
Introdução: A entrega voluntária de crianças para adoção constitui um direito previsto no ordenamento jurídico brasileiro, porém ainda atravessado por estigmas sociais, julgamentos morais e fragilidades institucionais. Nesse contexto, a atuação dos profissionais de enfermagem torna-se fundamental para garantir acolhimento ético, escuta qualificada, orientação adequada e respeito à autonomia da mulher, especialmente nos serviços de saúde onde a gestante ou puérpera pode manifestar o desejo de entregar o filho para adoção. Objetivo: Descreveu-se sobre a entrega voluntária de crianças para adoção no contexto brasileiro, destacando os direitos reprodutivos das mulheres, às políticas públicas existentes e o papel do enfermeiro na promoção de um cuidado ético, acolhedor e livre de julgamentos. Métodos: Trata-se de uma revisão bibliográfica realizada por meio de pesquisas nas bases de dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Foram selecionados artigos incluindo publicações entre 2016 e 2026, em língua portuguesa e disponíveis na íntegra. A seleção seguiu critérios de relevância temática, resultando em nove estudos que abordaram aspectos legais, sociais e emocionais relacionados à entrega voluntária, bem como a atuação dos profissionais de saúde nesse processo. Resultados: a decisão de entregar um filho para adoção é permeada por fatores como vulnerabilidade socioeconômica, ausência de rede de apoio, conflitos familiares e sofrimento psíquico. Observou-se ainda que, embora o direito seja garantido legalmente, persistem estigmas sociais e práticas institucionais que podem influenciar ou constranger a autonomia feminina. Destacou-se que muitas mulheres vivenciam sentimento de culpa, ambivalência e invisibilização social, além de possíveis impactos emocionais tardios, como o desejo de reencontro com o filho. o enfermeiro assume papel estratégico por ser frequentemente o primeiro profissional a acolher a gestante nos serviços de saúde. Sua atuação baseada na escuta qualificada, na informação clara e no encaminhamento adequado à rede de proteção contribui para a garantia dos direitos da mulher e para a prevenção de situações de abandono, violência ou violação de direitos. Conclusão: Efetivação da entrega voluntária como direito reprodutivo depende da capacitação contínua dos profissionais de saúde, do fortalecimento do trabalho intersetorial e da consolidação de práticas humanizadas que respeitem a autonomia materna e assegurem a proteção integral da criança.
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