Cobertura midiática de eventos adversos em saúde no Brasil: Correspondência múltipla e clusterização hierárquica
DOI:
https://doi.org/10.62827/eb.v25i2.4215Palavras-chave:
Segurança do Paciente; Eventos Adversos; Meios de Comunicação de Massa; Vigilância em Saúde Pública.Resumo
Introdução: Eventos adversos em saúde constituem problema global de segurança do paciente, com expressiva subnotificação nos sistemas formais de vigilância. A mídia jornalística opera como sistema informal de detecção dessas falhas, mas o perfil seletivo dessa cobertura no Brasil permanece pouco explorado. Objetivo: Analisar o perfil da cobertura jornalística brasileira sobre eventos adversos em saúde e identificar agrupamentos de noticiabilidade validados estatisticamente. Métodos: Estudo quantitativo transversal com 200 reportagens publicadas entre 1998 e 2025 nos portais G1, O Tempo, UOL, CNN Brasil e Folha de São Paulo. As variáveis foram analisadas por frequências descritivas, teste qui-quadrado de Pearson, V de Cramér, teste exato de Fisher e análise de correspondência múltipla com clusterização hierárquica sobre componentes principais (HCPC). Resultados: Predominaram ocorrências hospitalares (79,9%), em capitais (54,0%), envolvendo pacientes do sexo feminino (68,3%), procedimentos cirúrgicos (56,1%) e desfechos graves ou fatais (83,6%). A taxa de inércia ajustada de Benzécri para as duas primeiras dimensões foi de 60,1%. O HCPC identificou três agrupamentos: incidentes leves (n = 4), perfil hospitalar-cirúrgico (n = 129) e perfil pediátrico-clínico de interior (n = 56). Conclusão: A cobertura midiática concentra-se em desfechos extremos, operando como filtro seletivo na narrativa pública sobre segurança do paciente.
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