Nutr Bras. 2026;25(1):1714-1729
doi: 10.62827/nb.v25i1.3083

ARTIGO ORIGINAL

Influência do estado nutricional prévio ao tratamento sobre a ocorrência de efeitos adversos em pacientes pediátricos oncológicos submetidos à quimioterapia

Influence of pre-treatment nutritional status on the occurrence of adverse effects in pediatric oncology patients undergoing chemotherapy

Ana Clara Custódio Vieira1, Julia Torres Néri1, Gustavo Luiz Boso1, Jaqueline Schroeder de Souza1

1Centro Universitário - Católica de Santa Catarina, Jaraguá do Sul, SC, Brasil

Recebido em: 12 de Março de 2026; Aceito em: 2 de Abril de 2026.

Correspondência: Jaqueline Schroeder de Souza, jaqueline.schroeder04@gmail.com

Como citar

Vieira ACC, Néri JT, Boso GL, Souza JS. Influência do estado nutricional prévio ao tratamento sobre a ocorrência de efeitos adversos em pacientes pediátricos oncológicos submetidos à quimioterapia. Nutr Bras. 2026;25(1):1714-1729 doi: 10.62827/nb.v25i1.3083.

Resumo

Introdução: A má nutrição está associada ao aumento da toxicidade do tratamento oncológico, especialmente durante a quimioterapia, sendo particularmente prejudicial para crianças com câncer que já apresentam desnutrição evidente no momento do diagnóstico. Objetivo: Avaliar a influência do estado nutricional prévio ao tratamento sobre a ocorrência de efeitos adversos à quimioterapia em pacientes pediátricos oncológicos. Métodos: Trata-se de um estudo observacional transversal desenvolvido com dados secundários de crianças diagnosticadas com câncer. Coletaram-se dados sociodemográficos, clínicos, antropométricos e de efeitos adversos decorrentes da quimioterapia. Os participantes foram avaliados de acordo com os grupos de estado nutricional “baixo peso”, “eutrofia” e “excesso de peso”, definidos pelas curvas de crescimento. Para associar a ocorrência de eventos adversos aos grupos de estado nutricional, realizaram-se modelos de regressão logística brutos e ajustados. Resultados: Na amostra analisada (n = 134), os efeitos adversos mais comuns foram êmese (n = 69; 51.5%), febre (n = 68; 50.7%) e mucosite oral (n = 27; 20.1%). Verificou-se relação significativa entre a eutrofia e a menor chance de desenvolvimento de neutropenia (modelo ajustado, p = 0.039). Conclusão: Os achados apontam para a importância do estado nutricional prévio de crianças que serão submetidas à quimioterapia, especialmente no que se refere à ocorrência de neutropenia.

Palavras-chave: Câncer; Efeitos Adversos; Estado Nutricional; quimioterapia; toxicidade.

Abstract

Introduction: Poor nutrition is associated with increased toxicity from cancer treatment, especially during chemotherapy, and is particularly harmful for children with cancer who already have evident malnutrition at the time of diagnosis. Objective: The objective of the study was to evaluate the influence of nutritional status prior to treatment on the occurrence of adverse effects to chemotherapy in pediatric oncology patients. Methods: This is a cross-sectional observational study developed using secondary data from children diagnosed with cancer. Sociodemographic, clinical, anthropometric data and adverse effects resulting from chemotherapy were collected. Participants were evaluated according to the nutritional status groups “underweight”, “eutrophic” and “overweight”, defined by growth curves. To associate the occurrence of adverse events with nutritional status groups, crude and adjusted logistic regression models were performed. Results: In the sample analyzed (n = 134), the most common adverse effects were emesis (n = 69; 51.5%), fever (n = 68; 50.7%) and oral mucositis (n = 27; 20.1%). There was a significant relationship between eutrophy and a lower chance of developing neutropenia (adjusted model, p = 0.039). Conclusion: The findings suggest the importance of pre-treatment nutritional status in children undergoing chemotherapy, particularly with respect to the occurrence of neutropenia.

Keywords: Cancer; Effects; Nutritional Status; Chemotherapy; Toxicity.

Introdução

O câncer é uma patologia multicausal crônica, caracterizada pelo crescimento descontrolado das células e disseminação de células anormais, as quais se reproduzem até a formação do tumor [1]. A Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC) [2] estima que são diagnosticados 215 mil novos casos de câncer ao ano em crianças menores de 15 anos no mundo. Os principais tipos de câncer que acometem crianças são leucemias, tumores do sistema nervoso central e linfomas [3].

A complicação encontrada com maior frequência no paciente oncológico é a desnutrição, de caráter multifatorial, que envolve causas relacionadas à própria doença (anorexia, dificuldades mecânicas para mastigação e disfagia), efeitos adversos ao tratamento e ao jejum prolongado para exames [4, 5]. A nutrição inadequada pode acarretar baixo peso, excesso de peso e/ou esgotamento de micronutrientes, condição que pode estar presente em pacientes pediátricos oncológicos antes do diagnóstico, no momento do diagnóstico, durante e após o tratamento [6]. Além disso, a desnutrição está relacionada à maior permanência hospitalar, bem como a maior taxa de admissão, prejuízo na cicatrização de feridas, deterioração do sistema imunológico e morte associada ao câncer [7]. Segundo Zimmermann et al. [8], ao longo do tratamento oncológico o estado nutricional tende a se agravar, como demonstrou em estudo de coorte, em que a incidência cumulativa de desnutrição, avaliada pelo Índice de Massa Corporal (IMC) para idade, aumentou de 5,8% ao diagnóstico para 22% após 30 dias de terapia antineoplásica, 36% após 60 dias e 47% ao término do tratamento.

O tratamento, devido à sua toxicidade, pode provocar efeitos adversos aos pacientes como náuseas, êmese, mucosite, constipação, diarreia, disgeusia, xerostomia, má absorção de nutrientes e consequentemente, o quadro de desnutrição [9]. Há uma relação entre má nutrição e o aumento da toxicidade da terapia, sendo esperado que as deficiências de micronutrientes agravem os efeitos adversos ao tratamento [10]. Os efeitos adversos citados resultam em desnutrição, hipovitaminoses e anemias e em vista disso, o acompanhamento nutricional auxilia na prevenção e no tratamento de deficiências nutricionais, visando a melhora na tolerância ao tratamento [9]. Sabe-se que os riscos associados à subnutrição são mais prejudiciais para crianças diagnosticadas com câncer que apresentam desnutrição evidente no momento do diagnóstico [10].

Em uma revisão de literatura, Karalexi et al. [11] já apontaram que o risco de desenvolvimento de toxicidades foi maior em crianças desnutridas no momento do diagnóstico de osteossarcoma e sarcoma de Ewing. Em um estudo observacional, Tandon et al. [12] demonstraram que deficiências nutricionais prévias à quimioterapia influenciaram na ocorrência de complicações em crianças com leucemia linfoblástica aguda tais como, pior recuperação da medula óssea e mortes decorrentes da toxicidade do tratamento. Portanto, sabe-se que a má nutrição é um fator que pode influenciar a resposta ao tratamento dos pacientes pediátricos com câncer [13].

Ao longo dos anos, a nutrição adequada vem exercendo um importante papel no tratamento de crianças com câncer, pois influencia diretamente no sucesso do tratamento, na melhora da tolerância ao mesmo e na sobrevida dessa população [14]. Nesta perspectiva, o presente estudo teve como objetivo avaliar a influência do estado nutricional prévio ao tratamento quimioterápico sobre a ocorrência de efeitos adversos em pacientes pediátricos oncológicos.

Métodos

Delineamento, população e local do estudo

Trata-se de um estudo observacional transversal desenvolvido com dados secundários de crianças diagnosticadas com câncer. A amostra de crianças foi obtida em um hospital infantil no município de Joinville – Santa Catarina (Brasil).

Para a definição do tamanho amostral necessário para o estudo, realizou-se cálculo conforme proposto por Pocock [15] para diferença de médias. Os parâmetros considerados para o cálculo foram do estudo de Brinksma et al. [16], sendo adotadas as diferenças de escore para evento adverso (náuseas) entre grupos de desnutridos e bem nutridos (médias de escore estimadas em 5,5 e 14,7, respectivamente). Foram considerados o nível de confiança de 5% e o poder de estudo de 80%. Para os cálculos, utilizou-se o software OpenEpi®, que resultou em um tamanho amostral necessário de 134 indivíduos.

Como critérios de inclusão foram considerados pacientes pediátricos oncológicos de ambos os sexos, crianças com idade de até 10 anos conforme referenciado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) [17], submetidos a tratamento quimioterápico (associado ou não a outros tratamentos antineoplásicos), e com disponibilidade em prontuário clínico de dados sociodemográficos, clínicos e antropométricos necessários ao estudo. Somente foram considerados para a pesquisa pacientes com registro em prontuário do diagnóstico oncológico e dos referidos dados entre os anos de 2014 e 2024. Foram excluídos do estudo pacientes diagnosticados com síndrome de Down, devido ao fato de este público apresentar curvas de crescimento específicas para a síndrome em questão [18].

Coleta de dados

Os dados necessários à pesquisa foram obtidos a partir de dados secundários registrados em prontuário por meio de um questionário específico elaborado pelos autores (Material suplementar 1), o qual contou com as seguintes questões: dados sociodemográficos, como idade, sexo e etnia de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [19]; dados clínicos, como tipo de câncer, data do diagnóstico, idade no momento do diagnóstico, estadiamento, realização de cirurgia de ressecção do tumor, data da cirurgia de ressecção do tumor e modalidade de tratamento. Outros dados clínicos coletados foram: tipos de quimioterápicos utilizados, data de início do tratamento quimioterápico, número de ciclos de quimioterapia, presença de comorbidades, cirurgias prévias realizadas, data de realização das cirurgias prévias, tipos de cirurgias prévias realizadas, medicações de uso contínuo, tipos de medicações de uso contínuo e via de dieta predominante durante o tratamento. Ademais, os dados de efeitos adversos também foram investigados, como presença de efeitos adversos (sim/não) e tipos de efeitos adversos apresentados ao longo do tratamento quimioterápico. Ainda, obtiveram-se dados antropométricos como peso, estatura/comprimento e IMC no momento do diagnóstico.

Os dados antropométricos de peso e estatura obtidos em prontuário foram mensurados de acordo com Frisancho [20] e classificados conforme as curvas de crescimento da OMS [21]. A partir dos dados antropométricos coletados, foi calculado o IMC e posteriormente realizada a classificação do estado nutricional (EN) de acordo com as curvas de crescimento da OMS [22] de IMC/idade, estatura/idade e peso/idade. Como ferramenta de apoio para a classificação dos dados antropométricos nas curvas de crescimento da OMS, utilizaram-se os softwares “Anthro” e “Anthroplus”.

Análise estatística

Todos os dados foram tabulados em planilhas específicas do software Microsoft Excel® (2021). Para as tabelas de caracterização da amostra, foram estruturadas tabelas descritivas de acordo com os grupos de estado nutricional dos participantes da pesquisa, tendo como base a curva de crescimento de IMC/idade [22]. Para estas tabelas, os grupos foram definidos como “baixo peso” (escore-z ≤ -2), “eutrofia” (escore-z entre > -2 a +1) e “excesso de peso” (escore-z > +1). Os dados sociodemográficos, clínicos e antropométricos foram apresentados nas tabelas em média e desvio-padrão (DP) ou em frequência absoluta (n) e relativa (%). Para a apresentação dos dados quantitativos, verificou-se a normalidade dos dados mediante a observação de histograma, medidas de assimetria de skewness e de kurtosis. Para as variáveis quantitativas das tabelas descritivas, realizou-se o teste ANOVA, e para as variáveis qualitativas, empregou-se o Teste Exato de Fisher.

Os dados de ocorrência de efeitos adversos, como por exemplo, diarreia, constipação intestinal e mucosite oral, foram tabulados de acordo com a ocorrência do evento em variável qualitativa nominal (sim/não) e variável quantitativa discreta (n e %) e associados aos grupos de estado nutricional pela curva de crescimento IMC/idade. A variável desfecho (dependente) foi a ocorrência de efeito adverso e a variável independente foram os grupos de estado nutricional.

Para associar a ocorrência de eventos adversos aos grupos de estado nutricional, foi realizado o Teste Exato de Fisher, bem como modelos de regressão logística brutos e ajustados para número de ciclos de quimioterapia e modalidade de tratamento oncológico devido à plausabilidade biológica e por apresentarem p < 0.2. Os modelos de regressão logística envolveram os grupos de estado nutricional de acordo com cada curva de crescimento (IMC/idade, peso/idade e estatura/idade).

Para as associações, foi utilizado o software estatístico Stata® versão 14.0 (StataCorp LP, College Station, TX, USA). Em todas as análises foi considerado o valor de significância de p < 0.05.

Aspectos éticos da pesquisa

O projeto seguiu os preceitos éticos estabelecidos na Resolução Nº 466, de 12 de dezembro de 2012 e foi submetido à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). Somente após a aprovação pelo CEP do Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, sob número 7.007.116, iniciou-se a coleta de dados. Devido ao fato deste projeto não envolver dados obtidos diretamente com o participante e sim dados secundários obtidos a partir de prontuário, dispensou-se o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Resultados

A amostra totalizou 134 crianças, com a média de idade de 4.2 anos (desvio-padrão = 2.3). Em relação aos tipos de câncer, verificou-se que os tipos mais comuns foram leucemia (n = 71; 52.9%), linfoma (n = 16; 11.9%) e tumores de sistema nervoso central (n = 15; 11.2%) (Figura 1).

Figura 1 – Tipos de câncer em pacientes oncológicos submetidos à quimioterapia de um hospital pediátrico de Joinville, Santa Catarina, 2024.

Fonte: Os autores (2024).

Dentre as cirurgias prévias realizadas, verificou-se que houve 4 casos, sendo identificadas hemicolectomia, ressecção de cólon reto-sigmoide, ileostomia e adenoidectomia associada à turbinectomia. Os quimioterápicos encontrados com maior frequência na amostra foram vincristina (n = 108; 80.6%), metotrexato (n = 74; 55.2%), daunorrubicina (n = 70; 52.2%) e citarabina
(n = 70; 52.2%). Em relação às comorbidades prévias, a maioria dos pacientes (n = 124; 92.5%) não apresentava, bem como não utilizava medicações de uso contínuo (n = 128; 95,5%). A caracterização da amostra de acordo com os grupos de estado nutricional está descrita na Tabela 1. Verificou-se que a amostra teve mais casos de eutrofia (n = 94; 70.1%) em relação às demais categorias de estado nutricional (Tabela 1). Em relação ao sexo, verificou-se que os meninos tiveram maior prevalência de baixo peso e excesso de peso quando comparados às meninas (p = 0.015) (Tabela 1).

Tabela 1 – Caracterização da amostra de acordo com dados sociodemográficos e clínicos distribuídos por grupos de estado nutricional. Joinville, Santa Catarina, 2024.

Variável

Grupos de estado nutricional 1

Baixo peso

(n = 21)

Eutrofia

(n = 94)

Excesso de peso

(n = 19)

Valor de p

Idade

4.24 (0.24)

4.09 (0.35)

4.53 (0.58)

0.8242

Sexo

Feminino

Masculino

4 (6.7)

17 (23)

49 (81.6)

45 (60.8)

7 (11.7)

12 (16.2)

0.015*

Etnia

Branco

Pardo

19 (14.7)

2 (40)

91 (70.6)

3 (60)

19 (14.7)

0 (0)

0.310

Estadiamento

II

III

IV

0 (0)

2 (33.3)

1 (20)

1 (100)

4 (66.7)

3 (60)

0 (0)

0 (0)

1 (20)

1.000

Realização de cirurgia prévia

Sim

Não

1 (33.3)

20 (15.3)

2 (66.7)

92 (70.2)

0 (0)

19 (14.5)

0.658

Modalidade de tratamento

QT

QT + Cirurgia3

QT + Cirurgia + RT

15 (13.4)

5 (25)

1 (50)

81 (72.3)

12 (60)

1 (50)

16 (14.3)

3 (15)

0 (0)

0.335

Presença de comorbidades

Sim

Não

1 (10)

20 (16.1)

7 (70)

87 (70.2)

2 (20)

17 (13.7)

0.766

Cirurgia de ressecção do tumor

Sim

Não

6 (27.3)

15 (13.4)

13 (59.1)

81 (72.3)

3 (13.6)

16 (14.3)

0.236

Medicações de uso contínuo

Sim

Não

1 (16.7)

20 (15.6)

3 (50)

91 (71.1)

2 (33.3)

17 (13.3)

0.175

1De acordo com a curva de crescimento IMC/Idade. 2ANOVA. Os demais valores de p são resultados do Teste Exato de Fisher. 3Cirurgia de ressecção do tumor. Os dados das variáveis contínuas foram apresentados em média e desvio-padrão, e os dados das variáveis qualitativas em número absoluto e relativo. QT, quimioterapia; RT, radioterapia. Em negrito estão os valores significativos de p <0.05.

Apesar de não ter sido encontrada associação estatística significativa para a ocorrência geral de efeitos adversos e o estado nutricional prévio ao tratamento quimioterápico, observou-se que os efeitos adversos à quimioterapia encontrados com maior frequência foram êmese (n = 69; 51.5%), febre (n = 68; 50.7%) e mucosite oral (n = 27; 20.1%). A associação entre a ocorrência de efeitos adversos e grupos de estado nutricional da amostra consta na Tabela 2.

Tabela 2 – Presença de efeitos adversos de acordo com o estado nutricional de crianças com diagnóstico oncológico submetidas à quimioterapia. Joinville, Santa Catarina, 2024.

Variável

Grupos de estado nutricional1

Baixo peso

(n = 21)

Eutrofia

(n = 94)

Excesso de peso

(n = 19)

Valor de p

Ocorrência de efeito adverso

Sim

Não

18 (15.9)

3 (14.3)

77 (68.2)

17 (80.9)

18 (15.9)

1 (4.8)

0.460

Mucosite oral

Sim

Não

5 (18.5)

16 (15)

19 (70.4)

75 (70)

3 (11.1)

16 (15)

0.891

Diarreia

Sim

Não

4 (16.7)

17 (15,5)

18 (75)

76 (69)

2 (8.3)

17 (15,5)

0.776

Constipação Intestinal

Sim

Não

2 (13.3)

19 (16)

9 (60)

85 (71.4)

4 (26.7)

15 (12.6)

0.348

Febre

Sim

Não

12 (17.7)

9 (13.6)

46 (67.6)

48 (72.8)

10 (14.7)

9 (13.6)

0.802

Êmese

Sim

Não

12 (17.4)

9 (13.9)

46 (66.7)

48 (73.8)

11 (15.9)

8 (12.3)

0.689

Anorexia

Sim

Não

3 (16.7)

18 (15.5)

10 (55.5)

84 (72.4)

5 (27.8)

14 (12.1)

0.191

Neutropenia

Sim

Não

2 (20)

19 (15.3)

6 (60)

88 (71)

2 (20)

17 (13.7)

0.665

Outros sintomas

Sim

Não

13 (18.1)

8 (12.9)

46 (63.8)

48 (77.4)

13 (18.1)

6 (9.7)

0.686

Número de efeitos adversos

3.66 (0.51)

3.13 (0.27)

3.89 (0.51)

0.4262

1De acordo com a curva de crescimento IMC/Idade. 2ANOVA. Os demais valores de p são resultados do Teste Exato de Fisher. Os dados das variáveis contínuas foram apresentados em média e desvio-padrão e os dados das variáveis qualitativas em número absoluto e relativo.

Ao associar o estado nutricional prévio ao tratamento com a ocorrência de efeitos adversos por meio dos modelos de regressão logística, de acordo com os grupos de estado nutricional pela curva de crescimento peso/idade, observou-se no modelo bruto de análise que as crianças eutróficas apresentaram maior chance de ocorrência de febre em relação àquelas com estado nutricional inadequado (baixo peso e excesso de peso) (p = 0.030). Em contrapartida, no modelo ajustado de análise, perdeu-se esta significância estatística (p = 0.484). Verificou-se ainda que, de acordo com os grupos de estado nutricional pela curva de crescimento peso/idade, as chances de desenvolver neutropenia aumentaram em aproximadamente 2.32 vezes no modelo bruto (p = 0.035) e 2.28 vezes no modelo ajustado (p = 0.039) nas categorias de estado nutricional inadequado em relação à eutrofia (Tabela 3). Isso sugere que a relação entre o estado nutricional e a neutropenia é estatisticamente significativa, especialmente entre os extremos de peso (baixo peso e excesso de peso). Não foi encontrada associação estatística significativa para a ocorrência geral de efeitos adversos (sim/não) e o estado nutricional prévio, bem como para a associação de outros sintomas específicos com este parâmetro nutricional (Tabela 3).

Tabela 3 – Associação entre o estado nutricional prévio ao tratamento com a ocorrência de efeitos adversos à quimioterapia em pacientes pediátricos. Joinville, Santa Catarina, 2024.

Variável

IMC/Idade

Peso/Idade

Estatura/Idade

β

IC 95%

p2

β

IC 95%

p2

β

IC 95%

p2

Ocorrência do efeito adverso

Bruto

Ajustado1

1.75

1.80

0.77-3.95

0.78-4.12

0.178

0.164

0.88

0.86

0.40-1.90

0.40-1.87

0.749

0.715

0.53

0.51

0.09-2.83

0.09-2.77

0.461

0.443

Constipação intestinal

Bruto

Ajustado1

1.52

25.31

0.79-2.93

0.32-195.3

0.208

0.145

1.93

1.00

0.94-3.95

0.10-10.0

0.069

0.996

1.14

1.12

0.13-9.98

0.12-9.84

0.904

0.915

Diarreia

Bruto

Ajustado1

0.76

0.28

0.39-1.49

0.01-48.16

0.430

0.634

0.53

0.52

0.17-1.67

0.16-1.62

0.285

0.264

2.99

2.93

0.66-13.52

0.64-13.37

0.153

0.165

Êmese

Bruto

Ajustado1

1.22

1.21

0.76-1.94

0.75-1.94

0.392

0.426

1.10

1.12

0.60-2.10

0.61-2.05

0.740

0.693

1.61

1.66

0.36-7.04

0.37-7.28

0.524

0.501

Febre

Bruto

Ajustado1

1.12

5.88

0.70-1.79

0.23-145.34

0.625

0.279

0.44

3.12

0.21-0.92

0.12-75.88

0.030

0.484

1.66

1.62

0.38-7.27

0.36-7.13

0.497

0.521

Mucosite oral

Bruto

Ajustado1

0.92

0.94

0.50-1.67

0.04-20.42

0.793

0.970

0.49

0.58

0.15-1.53

0.04-7.07

0.222

0.670

0.54

0.53

0.06-4.66

0.06-4.55

0.583

0.566

Anorexia

Bruto

Ajustado1

1.70

1.69

0.93-3.10

0.92-3.10

0.085

0.088

0.87

0.50

0.34-2.24

0.01-5.89

0.781

0.582

0.91

0.93

0.10-7.91

0.11-8.06

0.936

0.948

Neutropenia

Bruto

Ajustado1

1.33

1.35

0.60-2.98

0.61-3.01

0.474

0.451

2.32

2.28

1.06-5.07

1.04-4.99

0.035

0.039

1.85

1.81

0.20-16.79

0.19-16.46

0.582

0.597

Outros sintomas

Bruto

Ajustado1

1.53

7.64

0.94-2.51

0.61-95.6

0.086

0.115

0.72

0.72

0.39-1.32

0.39-1.32

0.292

0.293

0.85

0.85

0.20-3.56

0.20-3.56

0.827

0.828

1Ajuste para número de ciclos de quimioterapia e modalidade de tratamento oncológico. 2Modelos de regressão logística. Em negrito estão os valores significativos de p <0,05.

Discussão

O presente estudo teve como objetivo avaliar a influência do estado nutricional prévio ao tratamento sobre a ocorrência de efeitos adversos à quimioterapia em pacientes pediátricos oncológicos. Quando analisados os tipos de câncer mais prevalentes na amostra, verificou-se que as leucemias, linfomas e tumores do Sistema Nervoso Central foram os mais comuns, o que está em concordância com os levantamentos do Instituto Nacional do Câncer [3] e da IARC [2]. Verificou-se também que a amostra estudada apresentou mais casos de eutrofia em comparação com as demais categorias de estado nutricional. Segundo estudo realizado por Barreto et al. [23] em pacientes pediátricos oncológicos internados em um hospital brasileiro (n = 29), ao analisar o perfil do estado nutricional de acordo com o IMC/Idade, observou-se prevalência de eutrofia, correspondendo a 44% da amostra estudada, corroborando os resultados do presente estudo que apresentou maior prevalência de eutrofia. Outro estudo realizado com pacientes pediátricos, recém diagnosticados com leucemia linfoblástica aguda (n = 54), em um instituto de referência em oncologia localizado no Brasil, evidenciou-se que 57,4% dos pacientes apresentavam eutrofia de acordo com o IMC/Idade no momento do diagnóstico, enquanto 42,6% da coorte encontrava-se fora do intervalo de adequação pela curva de crescimento [24].

Ao associar o estado nutricional da amostra com a ocorrência de sintomas específicos, verificou-se relação significativa entre a eutrofia e a menor chance de desenvolvimento de neutropenia, de acordo com a curva de crescimento de peso/idade. Destaca-se que entre pacientes pediátricos oncológicos é comum o quadro de imunossupressão, que conduz a complicações como a neutropenia [25]. Pacientes submetidos a sessões de quimioterapia são suscetíveis a períodos transitórios de imunossupressão medular, levando à queda importante do número de neutrófilos e, consequentemente, ao quadro de neutropenia [26]. Sabe-se que crianças com o estado nutricional comprometido têm maior chance de desenvolver neutropenia devido ao prejuízo do sistema imune no que diz respeito à produção de anticorpos e imunidade mediada por células específicas diminuídas, o que aumenta o risco de infecções e de mortalidade [27 – 31]. Draper et al. [32], ao avaliar o estado nutricional de crianças com nefroblastoma pela circunferência do braço, verificaram que aquelas que estavam desnutridas por este parâmetro antropométrico apresentaram maior frequência e duração da neutropenia. A perda de peso das crianças durante o tratamento oncológico também já foi associada ao aumento da presença de episódios neutropênicos febris com bacteremia, conforme apontado por Loeffen et al. [33]. Por outro lado, o estudo piloto de Romano et al. [34] envolvendo crianças com sarcomas ósseos e de tecidos moles não encontrou diferença estatisticamente significativa entre o número mediano de episódios neutropênicos e os grupos de não sarcopênicos, sarcopênicos leves e sarcopênicos moderados no momento do diagnóstico.

No entanto, observou-se que as crianças eutróficas apresentaram maior chance de ocorrência de febre em relação àquelas com estado nutricional inadequado (baixo peso ou excesso de peso) de acordo com o modelo bruto de regressão logística. Ao ajustar o modelo para as variáveis confundidoras, perdeu-se a significância estatística. Ressalta-se que a significância obtida no modelo bruto pode estar relacionada à prevalência de eutrofia na amostra estudada. Segundo Castagnola et al. [35], a febre pode ser a manifestação inicial de uma infecção grave, em especial durante períodos de neutropenia induzidos pela quimioterapia. Como consequência da terapia antineoplásica ou da própria patologia, pacientes oncológicos estão mais suscetíveis a infecções oportunistas em decorrência da imunossupressão resultante dos efeitos colaterais do tratamento, sendo a febre um importante sinal indicativo de infecção [36]. O estudo de Cunha et al. [37], em que foram avaliadas as causas de consultas e fatores associados à internação de crianças e adolescentes com câncer demonstrou que a febre foi relatada como motivo de procura por atendimento em pronto-socorro em 30,8% dos casos, sendo o motivo mais comum de admissão. Ao avaliar a presença de febre em pacientes imunossuprimidos, Pizzo [38] evidenciou que dentre os pacientes que receberam tratamento quimioterápico, mais de 80% apresentaram pelo menos um episódio de febre associada a neutropenia, sendo que 5% a 10% destes pacientes evoluíram a óbito.

Apesar de não ter sido encontrada associação estatística significativa para a ocorrência geral de efeitos adversos e o estado nutricional prévio ao tratamento quimioterápico, bem como para a associação com outros sintomas específicos, o estudo de Barr e Stevens [39] evidencia a influência do estado nutricional nos desfechos clínicos dos pacientes oncológicos pediátricos que passaram por quimioterapia. O referido estudo, ao avaliar o estado nutricional de acordo com os índices de dobra cutânea triciptal, circunferência média do braço e albumina, encontrou que os indivíduos desnutridos ou com excesso de peso apresentaram maior risco de morbimortalidade durante e após o tratamento oncológico [39]. Ademais, estudos com pacientes oncológicos na população infantojuvenil também indicam que a desnutrição, bem como o excesso de peso, pode desencadear resultados desfavoráveis na taxa de sobrevida [40 – 42]. O estudo de Orgel et al. [40], evidenciou que o IMC elevado no momento do diagnóstico do câncer esteve associado à pior sobrevida em pacientes pediátricos oncológicos. Em uma pesquisa de coorte prospectiva realizada por Iniesta et al. [41] em que foi avaliado o estado nutricional de crianças e adolescentes com câncer na Escócia, observou-se que a desnutrição no momento do diagnóstico foi significativamente associada a declínios no prognóstico, incluindo aumento no risco de óbito. O estudo de Rasmy e Sorour [42], apesar de ter sido realizado com pacientes oncológicos adultos, demonstrou que os pacientes classificados com IMC adequado tiveram sobrevida global significativamente melhor ao comparado com pacientes obesos, assim como a taxa de mortalidade reduzida. Assim, reforça-se a importância do estado nutricional prévio ao tratamento para a melhor tolerância da quimioterapia e melhor prognóstico de pacientes pediátricos oncológicos.

Reconhece-se que o estudo apresenta algumas limitações. Dentre elas, destaca-se o delineamento transversal da pesquisa, o qual dificulta a realização de uma inferência causal, ou seja, a investigação da relação temporal entre resultados e fatores de risco. Além disso, ainda que tenham sido considerados os dados de estado nutricional prévio ao tratamento, os dados antropométricos foram coletados apenas no momento do diagnóstico. Para este estudo, os participantes não foram acompanhados em relação ao estado nutricional para identificar com precisão se este foi determinante na ocorrência de efeitos adversos [43]. Evidencia-se também que, devido ao fato de as informações serem provenientes de prontuário clínico, não é possível assegurar o seguimento adequado de protocolos antropométricos por parte dos profissionais da instituição como, por exemplo, para a avaliação nutricional do paciente.

Ainda, ressalta-se a diversidade de variáveis de confusão que podem ter impactado na ocorrência dos efeitos adversos, como a utilização de medicamentos sintomáticos, medicações de uso contínuo, presença de comorbidades e realização de cirurgias prévias. Embora algumas variáveis tenham sido utilizadas como ajustes nas análises estatísticas, como foi o caso do número de ciclos de quimioterapia e modalidade de tratamento oncológico, sabe-se que o desenvolvimento de efeitos adversos no tratamento quimioterápico tem origem multifatorial e, assim sendo, outros potenciais fatores de risco para estes eventos podem não ter sido coletados na investigação em prontuário clínico. Por fim, em relação aos dados de efeitos adversos, houve dificuldade na obtenção destas informações devido a vieses de não resposta e de recordação, considerando que os dados coletados em prontuário foram originados de relatos de pacientes infantis, pais e/ou responsáveis e ainda dependeram da coleta e registro adequado do profissional da saúde em prontuário clínico.

Entretanto, esta pesquisa apresenta diversos pontos fortes, como o tamanho amostral que foi alcançado, permitindo maior poder de amostra para as associações estatísticas; e a diversidade de dados coletados, que possibilitou o ajuste das análises considerando as variáveis confundidoras. Ademais, por parte do conhecimento dos autores, há escassez de estudos que realizem estas associações em público pediátrico brasileiro. Desta forma, esta pesquisa permite o levantamento inicial de associações importantes entre o estado nutricional prévio ao tratamento e a ocorrência de efeitos adversos em pacientes pediátricos brasileiros em quimioterapia, sendo um ponto de partida importante para a realização de novos estudos sobre a temática.

Nesta perspectiva, evidencia-se a importância do presente estudo para o fortalecimento de ações de intervenção nutricional para a melhora do estado nutricional de crianças que serão submetidas à quimioterapia. Este trabalho pode ser um importante precursor de novas pesquisas sobre a temática, de modo a levantar novas evidências científicas que possam beneficiar as crianças em tratamento oncológico, proporcionando maior tolerância ao tratamento e melhor qualidade de vida.

Agradecimentos

Os autores agradecem ao Centro Universitário Católica de Santa Catarina por todo apoio no delineamento e orientação quanto a este estudo; ao Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria por permitir a realização da pesquisa na instituição e por todas as orientações da equipe no acesso aos prontuários clínicos; e aos pacientes que, direta ou indiretamente, foram participantes do estudo.

Conflitos de Interesse

Os autores declaram não haver conflito de interesse.

Fontes de Financiamento

Não houve financiamento.

Contribuição dos autores

Concepção e desenho da pesquisa: Vieira ACC, Néri JT, Boso GL, Souza JS; Obtenção de dados: Vieira ACC, Néri JT, Boso GL; Análise e interpretação dos dados: Vieira ACC, Néri JT, Boso GL, Souza JS; Redação do manuscrito: Vieira ACC, Néri JT, Boso GL; Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante: Souza JS.

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