Fisioter Bras. 2026;27(6):4376-4385
doi: 10.62827/fb.v27i6.1231

REVISÃO

O impacto dos sintomas climatéricos na função do assoalho pélvico e na sexualidade feminina: Revisão integrativa da literatura

The impact of climacteric symptoms on pelvic floor function and female sexuality: An integrative literature review

Sofia Pinto Barão1, Carlos Alberto Roani Junior1, Melissa Medeiros Braz1

1Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil

Recebido em: 1 de Julho de 2026; Aceito em: 22 de Julho de 2026.

Correspondência: Sofia Pinto Barão, sofiabarao02@gmail.com

Como citar

Barão SP, Roani Junior CA, Braz MM. O impacto dos sintomas climatéricos na função do assoalho pélvico e na sexualidade feminina: Revisão integrativa da literatura. Fisioter Bras. 2026;27(6):4376-4385. doi: 10.62827/fb.v27i6.1231.

Resumo

Introdução: O climatério corresponde a uma fase de transição biológica marcada por alterações hormonais que podem impactar diversos aspectos da saúde feminina, incluindo o sistema urogenital, a função do assoalho pélvico e a sexualidade. Objetivo: Sumarizou-se as evidências científicas presentes em teses e dissertações brasileiras acerca da relação entre sintomas climatéricos, função do assoalho pélvico e sexualidade feminina. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida conforme o método proposto por Mendes, Silveira e Galvão. A busca foi realizada no Portal de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) utilizando descritores relacionados ao climatério, menopausa, sexualidade feminina e disfunções do assoalho pélvico. Foram incluídas teses e dissertações em língua portuguesa, disponíveis na íntegra e relacionadas à temática. Os estudos selecionados foram analisados quanto aos objetivos, delineamento metodológico, instrumentos de avaliação e principais achados. Resultados: os sintomas climatéricos estão associados a maior prevalência de queixas urogenitais, como incontinência urinária, além de repercussões negativas na função sexual, qualidade de vida e percepção de saúde das mulheres. Fatores comportamentais, como sedentarismo, obesidade e tabagismo, também foram identificados como associados às disfunções urinárias. Observou-se ainda que maior força dos músculos do assoalho pélvico está relacionada a melhor função sexual em mulheres na pós-menopausa. Entretanto, os estudos analisados abordam esses aspectos de forma isolada, não contemplando simultaneamente a relação entre sintomas climatéricos, função do assoalho pélvico, sexualidade feminina e autoimagem genital. Conclusão: Existe uma lacuna na produção científica nacional acerca da integração entre sintomas climatéricos, função do assoalho pélvico, sexualidade feminina e autoimagem genital, evidenciando a necessidade de pesquisas que investiguem essas dimensões de forma integrada.

Palavras-chave: Climatério; Menopausa; Função sexual; Sexualidade; Assoalho pélvico.

Abstract

Introduction: Climacteric is a biological transition phase marked by hormonal changes that may impact several aspects of women’s health, including the urogenital system, pelvic floor function, and sexuality. Objective: It was sumarize the scientific evidence available in Brazilian theses and dissertations regarding the relationship between climacteric symptoms, pelvic floor function, and female sexuality. Methods: This is an integrative literature review conducted according to the method proposed by Mendes, Silveira, and Galvão. The search was carried out in the Portal de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) Theses and Dissertations Database using descriptors related to climacteric, menopause, female sexuality, and pelvic floor dysfunctions. Theses and dissertations written in Portuguese, available in full text, and related to the study topic were included. The selected studies were analyzed regarding objectives, methodological design, assessment instruments, and main findings. Results: Climacteric symptoms are associated with a higher prevalence of urogenital complaints, such as urinary incontinence, as well as negative impacts on sexual function, quality of life, and women’s health perception. Behavioral factors such as sedentary lifestyle, obesity, and smoking were also identified as associated with urinary dysfunctions. In addition, greater pelvic floor muscle strength was related to better sexual function in postmenopausal women. However, the analyzed studies addressed these aspects separately, without simultaneously investigating the relationship between climacteric symptoms, pelvic floor function, female sexuality, and genital self-image. Conclusion: There is a gap in Brazilian scientific literature regarding the integration of climacteric symptoms, pelvic floor function, female sexuality, and genital self-image, highlighting the need for studies investigating these dimensions in an integrated manner.

Keywords: Climacteric; Menopause; Sexual function; Sexuality; Pelvic floor.

Introdução

O climatério representa uma fase de transição biológica que marca o encerramento da vida reprodutiva feminina e caracteriza-se por um conjunto complexo de mudanças hormonais, metabólicas e psicossociais [1]. Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 25 milhões de mulheres entrem no climatério anualmente, e projeta que, até 2030, aproximadamente um bilhão de pessoas já terão vivenciado essa etapa do ciclo vital [2]. No Brasil, dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que cerca de 15 milhões de mulheres encontram-se entre 40 e 65 anos, faixa etária em que o climatério é mais prevalente, reforçando sua relevância como questão de saúde pública [3].

A transição climatérica é acompanhada por uma queda progressiva dos níveis de estrogênio, que desencadeia alterações fisiológicas que afetam diversos sistemas, incluindo o cardiovascular, osteomuscular, endócrino, urogenital e nervoso central [4]. Entre os sintomas mais frequentes destacam-se os vasomotores, como ondas de calor e sudorese noturna, seguidos por distúrbios do sono, alterações de humor, ansiedade, diminuição da vitalidade e manifestações urogenitais. A deficiência estrogênica afeta diretamente o trato geniturinário, levando à atrofia epitelial, redução da lubrificação vaginal, alterações do pH e diminuição da elasticidade tecidual. Essas alterações culminam em secura vaginal, dispareunia, ardência, urgência urinária, noctúria e maior suscetibilidade a infecções urinárias [5,6].

O assoalho pélvico, estrutura essencial para o suporte dos órgãos pélvicos e para funções como continência urinária e fecal, resposta sexual e estabilidade corporal, também sofre influência significativa da queda hormonal [7]. A redução da vascularização, da espessura tecidual e do tônus muscular pode favorecer o surgimento de disfunções como incontinência urinária, sintomas anorretais e prolapso de órgãos pélvicos, comprometendo a funcionalidade e a qualidade de vida das mulheres no climatério [5].

Paralelamente, a sexualidade feminina, caracterizado por um constructo multifatorial que envolve aspectos biológicos, psicológicos, relacionais e socioculturais, é igualmente afetada. As alterações hormonais interferem em domínios como desejo, excitação, lubrificação e capacidade orgástica, potencializando o risco de disfunções sexuais. Ademais, fatores subjetivos, como autoestima, satisfação corporal e qualidade do relacionamento, tornam-se determinantes para a vivência da sexualidade nessa fase [8].

Nesse contexto, a autoimagem genital surge como um componente fundamental da saúde sexual. Modificações anatômicas e funcionais típicas do climatério podem gerar insegurança genital, vergonha ou insatisfação, influenciando negativamente a resposta sexual e o bem-estar psicossocial. Evidências demonstram que mulheres que apresentam pior percepção da própria genitália tendem a relatar maiores dificuldades sexuais, reforçando a interdependência entre corpo, subjetividade e função sexual [9].

Apesar da alta prevalência de sintomas climatéricos e do seu impacto reconhecido em diversos aspectos da saúde, muitas mulheres permanecem subdiagnosticadas e subtratadas. A persistência da desinformação, o estigma que ainda envolve a sexualidade na maturidade e a naturalização das queixas urogenitais contribuem para a invisibilidade das demandas femininas no climatério. Assim, compreender como os sintomas climatéricos interagem com a função do assoalho pélvico e a sexualidade feminina é fundamental para orientar práticas clínicas integradas e fomentar políticas de cuidado mais adequadas às necessidades dessa população [4].

Buscou-se e descreveu-se a partir de teses e dissertações da CAPES pesquisas que abordassem o impacto dos sintomas climatéricos na função do assoalho pélvico e na sexualidade feminina.

Métodos

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida conforme o método proposto por Mendes, Silveira e Galvão [10], que compreende as etapas de identificação da temática, formulação da pergunta de pesquisa, definição dos critérios de inclusão e exclusão, realização da busca sistematizada, avaliação crítica dos estudos selecionados e síntese integrativa dos achados.

A elaboração da pergunta de pesquisa foi orientada pela estratégia PEO, adequada para estudos que investigam associações entre fenômenos clínicos em populações específicas [11]. Para este estudo, definiu-se como população as mulheres no climatério, como exposição a presença de sintomas climatéricos, e como desfechos as repercussões no assoalho pélvico e na sexualidade feminina, incluindo função sexual e autoimagem genital. Dessa forma, formulou-se a pergunta norteadora: “Quais são as evidências científicas disponíveis sobre a relação entre sintomas climatéricos, função do assoalho pélvico e sexualidade feminina em mulheres no climatério?”.

Figura 1 – Descrição da estratégia PEO [11].

Fonte: Elaborado pelos autores.

A busca foi realizada no Portal de Teses e Dissertações da CAPES, devido à sua representatividade na divulgação de produções científicas brasileiras de pós-graduação. feminina. Para garantir sensibilidade e abrangência na busca, foram utilizados descritores controlados, preferencialmente do DeCS/MeSH, bem como palavras-chave livres relacionadas ao tema. Foram empregados os seguintes descritores: “Climatério”, “Menopausa”, “Função sexual”, “Sexualidade”, “Disfunções sexuais femininas”, “Autoimagem”, “Assoalho pélvico”, “Transtornos do assoalho pélvico”, “Prolapso de órgãos pélvicos”, “Incontinência urinária”, e seus correspondentes em inglês (“Climacteric”, “Menopause”, “Sexual function”, “Sexuality”, “Female sexual dysfunction”, “Body image”, “Pelvic floor”, “Pelvic floor disorders”, “Pelvic organ prolapse”, “Urinary incontinence”. A combinação desses termos foram realizadas por operadores booleanos (AND, OR) com o objetivo de ampliar a sensibilidade da busca e captar a totalidade das produções pertinentes ao tema.

Foram incluídas dissertações e teses que abordem temas relacionados ao climatério, sintomas climatéricos, disfunções do assoalho pélvico, sexualidade feminina, função sexual e autoimagem genital, publicadas em língua portuguesa, com disponibilidade de texto completo. Logo exclui-se produções que não apresentem relação direta com a temática, estudos duplicados e trabalhos inacessíveis na íntegra.

Figura 2 – Fluxograma da seleção dos estudos incluídos na revisão.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Após a identificação dos estudos, estes foram exportadas para o software Zotero, com o objetivo de facilitar a organização e auxiliar no processo seleção dos estudos. Na sequência, foram analisados quanto ao objetivo, delineamento metodológico, instrumentos de avaliação e principais resultados.

Posteriormente, visando facilitar o entendimento na fase de categorização dos estudos incluídos na revisão, realizou-se um quadro sinóptico no editor de textos Microsoft Word 2016, contendo as seguintes variáveis: Título do artigo, ano da defes e instituição, objetivo, delineamento metodológico e instrumentos de avaliação utilizados e principais resultados encontrados.

Resultados

Após a seleção dos estudos na íntegra, procedeu-se à caracterização de cada estudo conforme as variáveis já citadas, essas informações estão organizadas no Quadro 1.

Quadro 1 – Caracterização dos artigos analisados na revisão integrativa.

Título/Autoria/Ano

Data da defesa e Instituição

Objetivo

Delineamento

Instrumentos de Avaliação e Resultado

Incontinência urinária e fatores associados em mulheres climatéricas (Dullius , 2016) [12].

02/06/2016

Universidade Estadual de Montes Claros.

Investigar a prevalência e fatores associados à incontinência urinária (IU) em mulheres climatéricas assistidas pelas equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF).

Estudo transversal.

Avaliações: Características sociodemográficas, hábitos de vida, medidas antropométricas e fatores clínicos e obstétricos e o International Consultation on Incontinence Questionnaire - Short Form (ICIQ-SF™).

Resultados: Presença de fatores modificáveis como ser sedentária, fumante, obesa, apresentar sintomas intensos do climatério, ter realizado episiotomia e a presença de cisto no ovário estiveram associadas com a IU.

Influência do isolamento social na qualidade de vida e nos sintomas do climatério e menopausa: um comparativo pré, durante e após restrição social (Serra, 2023) [13].

27/02/2023

Universidade Federal de Sergipe.

Analisar a influência da restrição social causada pela pandemia da COVID-19, na qualidade de vida e sintomas do climatério e menopausa Antes do Isolamento Social, Durante o Isolamento Social e Pós Isolamento Social.

Estudo transversal.

Avaliações:  Women’s Health Questionnaire e a Menopause Rating Scale.

Resultados: Maior número de queixas relacionadas a sintomatologia urogenital durante o isolamento social≈e≈após≈o seu fim. .

Fatores associados à autoavaliação da saúde de mulheres de meia-idade (Barroso, 2021) [14].

27/10/2021

Universidade Federal do Mato Grosso.

Avaliar os fatores associados à autoavaliação da saúde de mulheres de meia-idade atendidas em um ambulatório de climatério.

Estudo transversal.

Avaliações: Questionários autoaplicáveis sem validação.

Resultado: Maioria das mulheres de meia-idade estudadas apresentou autoavaliação da saúde negativa a qual, provavelmente, se deve aos vários aspectos que permeiam a vida dessas mulheres. O fator associado a autoavaliação negativa foi sintomas severos do climatério os quais costumam impactar a percepção de saúde das mulheres devido aos seus desconfortos.

Sintomatologia do climatério associado a qualidade de vida e atitudes de autocuidado durante a covid-19 (Leite, 2021) [15].

27/02/2021 Universidade Federal do Sergipe

Avaliar a gravidade dos sintomas do climatério e a qualidade de vida relacionada à saúde bem como as atitudes de autocuidado, associando a pandemia do COVID-19 auto referida pelas mulheres.

Estudo Transversal.

Avaliações: Women’s Health Questionnaire (WHQ) e a Menopause Rating Scale,(MRS).

Resultados: As mulheres apresentaram piores qualidade de vida em relação aos domínios dos sintomas somáticos, da função sexual, dos sintomas vasomotores e da memória/concentração.

O impacto do assoalho pélvico sobre a função sexual em mulheres na pós-menopausa (Omodei, 2019) [16].

18/02/2019 Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.

Avaliar a associação entre a força dos músculos do assoalho pélvico (MAP) e a função sexual em mulheres na pós-menopausa.

Estudo transversal.

Avaliações: Female Sexual Function Index (FSFI), Escala de Oxford modificada, Ultrassonografia transperineal.

Resultados: Mulheres com MAP funcionais usavam mais terapia hormonal e apresentaram maior espessura do levantador do ânus. MAP não funcionais mostraram pior função sexual (desejo, excitação, orgasmo e FSFI total). Maior força e espessura muscular, além do uso de TH, associaram-se a menor risco de disfunção sexual.

Fonte: Elaborado pelos autores.
Siglas: IU – Incontinência urinária; ESF – Estratégia Saúde da Família; ICIQ-SF – International Consultation on Incontinence Questionnaire – Short Form; WHQ – Women’s Health Questionnaire; MRS – Menopause Rating Scale; MAP – Músculos do assoalho pélvico; FSFI – Female Sexual Function Index; TH – Terapia hormonal.

Discussão

A análise das teses e dissertações selecionadas evidenciou que os sintomas climatéricos impactam diversos aspectos da saúde feminina, especialmente nos domínios urogenitais, na função sexual, na percepção subjetiva de saúde e em manifestações relacionadas ao assoalho pélvico. Os estudos incluídos, publicados entre 2016 e 2023, convergem ao demonstrar que a transição climatérica está associada a aumento das queixas somáticas, vasomotoras, emocionais e geniturinárias, com repercussões que extrapolam o componente biológico e alcançam fatores psicossociais e comportamentais.

No âmbito urogenital, a presença de sintomas intensos do climatério esteve associada a maior prevalência de incontinência urinária e pior qualidade de vida. O estudo de Dullius [12] identificou fatores modificáveis — como sedentarismo, tabagismo, obesidade, episiotomia prévia e presença de cisto ovariano — como preditores importantes para a ocorrência de IU em mulheres climatéricas. Esses achados reforçam a influência combinada de fatores hormonais, musculoesqueléticos e comportamentais no desenvolvimento de disfunções urinárias durante essa fase.

As repercussões psicossociais também foram evidenciadas nos estudos conduzidos durante o isolamento social decorrente da pandemia de COVID-19 [13, 15]. Ambos relataram agravamento de sintomas urogenitais, vasomotores, cognitivos e sexuais, indicando que o contexto social desempenha papel relevante na expressão e intensificação dos sintomas climatéricos. A piora dos domínios de memória, concentração, função sexual e sintomas somáticos ao longo do isolamento sugere que fatores ambientais e emocionais modulam a vivência do climatério e suas manifestações clínicas.

Em relação à sexualidade feminina e à função do assoalho pélvico, destacou-se o estudo de Omodei [16] , que demonstrou associação entre a força dos músculos do assoalho pélvico (MAP) e a função sexual em mulheres na pós-menopausa. Mulheres com MAP não funcionais apresentaram piores escores nos domínios desejo, excitação, orgasmo e no escore total do FSFI, além de menor espessura do músculo levantador do ânus. Por outro lado, maior força do MAP, maior espessura muscular e uso de terapia hormonal estiveram associados a menor risco de disfunção sexual, reforçando a relação direta entre integridade muscular pélvica e resposta sexual.

Quanto à percepção de saúde, Barroso [14] demonstrou que sintomas severos do climatério se associam à autoavaliação negativa da saúde entre mulheres de meia-idade, destacando a importância de considerar não apenas fatores biológicos, mas também determinantes psicológicos e sociais. A intensidade dos sintomas impacta diretamente a forma como as mulheres percebem seu próprio estado de saúde e bem-estar, reforçando o caráter multidimensional dessa fase.

Apesar da abrangência dos temas investigados — incluindo sintomas climatéricos, qualidade de vida, sexualidade e disfunções do assoalho pélvico —, observou-se que os estudos analisados tratam esses domínios de maneira isolada. Nenhum dos trabalhos avaliados abordou simultaneamente a relação entre sintomas climatéricos, função do assoalho pélvico, sexualidade feminina e autoimagem genital, evidenciando uma lacuna importante na produção científica brasileira, especialmente considerando a interdependência documentada entre esses fatores na literatura internacional.

A presente revisão apresenta algumas limitações que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. A busca bibliográfica foi realizada exclusivamente no Portal de Teses e Dissertações da CAPES, o que pode ter restringido a identificação de estudos disponíveis em outras bases de dados nacionais e internacionais, limitando a abrangência das evidências analisadas. Além disso, por contemplar predominantemente literatura cinzenta, constituída por teses e dissertações, os estudos incluídos apresentam diferentes delineamentos metodológicos e níveis de evidência, o que pode dificultar a comparação entre os achados. Também deve ser considerada a possibilidade de viés de seleção decorrente da utilização de uma única fonte de busca e da dependência dos descritores empregados na estratégia de pesquisa. Dessa forma, recomenda-se que futuras revisões ampliem a busca para bases indexadoras nacionais e internacionais, permitindo uma síntese mais abrangente e representativa da produção científica sobre o tema.

Conclusão

A análise das teses e dissertações evidencia que os sintomas climatéricos impactam de maneira expressiva a saúde feminina, principalmente nos domínios urogenitais, na função sexual e na percepção geral de saúde. As produções destacam alta prevalência de sintomas vasomotores, urogenitais e sexuais, além de associações com disfunções do assoalho pélvico e pior qualidade de vida, revelando a complexidade multifatorial que caracteriza o climatério.

Observou-se que nenhum dos estudos identificados abordou de forma integrada a relação entre sintomas climatéricos, função do assoalho pélvico, sexualidade feminina e autoimagem genital. Essa ausência de investigações que articulem simultaneamente esses eixos evidencia uma lacuna importante na produção científica nacional, considerando o papel interdependente desses fatores na vivência da saúde sexual e pélvica nessa fase da vida. Diante disso, os achados reforçam a necessidade de ampliar e aprofundar as pesquisas que explorem essa interface multidimensional, contribuindo para práticas clínicas mais completas e alinhadas às demandas reais das mulheres no climatério.

Declaração sobre o uso de Inteligência Artificial

Os autores declaram que ferramentas de Inteligência Artificial (IA) generativa foram utilizadas exclusivamente para auxílio na tradução e na revisão linguística do manuscrito. Não houve utilização de IA para a elaboração do conteúdo científico, análise ou interpretação dos dados, sendo os autores integralmente responsáveis pelo conteúdo, pela precisão das informações e pela versão final do artigo.

Conflitos de Interesse

Os autores declaram não haver conflito de interesse.

Fontes de Financiamento

Não houve financiamento.

Contribuição dos Autores

Concepção e desenho da pesquisa: Barão SP, Braz MM. Obtenção de dados: Barão SP. Análise e interpretação dos dados: Barão SP, Roani Junior CA, Braz MM. Redação do manuscrito: Barão SP, Roani Junior CA. Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante: Braz MM.

Referências

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