REVISÃO
Efeitos do imobilismo no organismo humano: Uma revisão integrativa
Effects of physical inactivity on the human body: An integrative review
Stanley Almeida de Oliveira1, Luiza Ribeiro Belizário2, Lorena Gomes Martins3, Stefany Layane Aparecida Ferreira Aquino4
1Instituto Metropolitano de Ensino Superior (UNIVAÇO), Ipatinga, MG, Brasil
2Universidade Vila Velha (UVV), Vila Velha, ES, Brasil
3Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Belo Horizonte, MG, Brasil
4Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG, Brasil
Recebido em: 12 de Maio de 2026; Aceito em: 18 de Maio de 2026.
Correspondência: Stanley Almeida de Oliveira, stanleyadeoliveira2@gmail.com
Como citar
Oliveira SA, Belizário LR, Martins LG, Aquino SLAF. Efeitos do imobilismo no organismo humano: Uma revisão integrativa. Fisioter Bras. 2026;27(3):3425-3437 doi: 10.62827/fb.v27i3.1175.
Introdução: O imobilismo em pacientes hospitalizados e críticos está associado a importantes repercussões clínicas e funcionais, incluindo perda de massa muscular, redução da capacidade funcional, descondicionamento cardiovascular e respiratório, além de maior tempo de internação e pior recuperação funcional. Essas alterações decorrem da interação entre repouso prolongado no leito, ventilação mecânica, resposta inflamatória sistêmica e gravidade clínica, exigindo abordagem interdisciplinar que integre fisioterapia, medicina e estratégias multiprofissionais voltadas à preservação da funcionalidade e recuperação global do paciente. Objetivo: Abordou-se os efeitos do imobilismo no organismo humano e suas repercussões sistêmicas em pacientes hospitalizados e críticos, com ênfase no papel da fisioterapia dentro da abordagem multiprofissional na prevenção do declínio funcional e na melhora dos desfechos clínicos e funcionais. Métodos: Trata-se de uma revisão bibliográfica descritiva e analítica, realizada por meio de revisão integrativa da literatura. Foram utilizadas as bases Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), National Library of Medicine (PubMed), SciVerse Scopus (Scopus) e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Foram incluídos 21 estudos publicados entre 2004 e 2021, selecionados com base na relevância para a associação entre imobilismo, alterações musculoesqueléticas, cardiovasculares, respiratórias e metabólicas, bem como intervenções fisioterapêuticas e abordagem multiprofissional no ambiente hospitalar. Resultados: As evidências analisadas indicam que o imobilismo está associado a pior prognóstico clínico, incluindo perda muscular acelerada, redução da independência funcional, descondicionamento cardiorrespiratório e prolongamento do tempo de internação. Intervenções fisioterapêuticas, como mobilização precoce, exercícios terapêuticos e reabilitação funcional, associadas ao acompanhamento médico contínuo, demonstram impacto positivo na preservação da funcionalidade e na redução das complicações associadas ao repouso prolongado. A integração multiprofissional mostrou-se essencial para otimizar a recuperação funcional, reduzir complicações e melhorar os desfechos clínicos. Conclusão: A abordagem interdisciplinar entre fisioterapia e medicina é fundamental para o manejo dos efeitos do imobilismo em pacientes hospitalizados e críticos. Protocolos estruturados e precoces, baseados em evidências, contribuem para a preservação da capacidade funcional, redução de complicações e melhora dos desfechos clínicos e funcionais.
Palavras-chave: Imobilização; Modalidades de Fisioterapia; Pacientes Internados.
Introduction: Immobilization in hospitalized and critically ill patients is associated with important clinical and functional repercussions, including loss of muscle mass, reduced functional capacity, cardiovascular and respiratory deconditioning, prolonged hospital stay, and impaired functional recovery. These alterations result from the interaction between prolonged bed rest, mechanical ventilation, systemic inflammatory response, and clinical severity, requiring an interdisciplinary approach integrating physical therapy, medicine, and multiprofessional strategies aimed at preserving functionality and promoting global patient recovery. Objective: The study examined the effects of immobility on the human body and its systemic repercussions in hospitalised and critically ill patients, with an emphasis on the role of physiotherapy within a multidisciplinary approach to preventing functional decline and improving clinical and functional outcomes. Methods: This is a descriptive and analytical literature review, conducted through an integrative review of the literature. The following databases were used: the Virtual Health Library (VHL), Latin American and Caribbean Health Sciences Literature (LILACS), the National Library of Medicine (PubMed), SciVerse Scopus (Scopus) and the Scientific Electronic Library Online (SciELO). Twenty-one studies published between 2004 and 2021 were included, selected on the basis of their relevance to the association between immobility and musculoskeletal, cardiovascular, respiratory and metabolic changes, as well as physiotherapy interventions and a multi-professional approach in the hospital setting. Results: The analyzed evidence indicates that immobilization is associated with worse clinical prognosis, including accelerated muscle loss, reduced functional independence, cardiorespiratory deconditioning, and prolonged hospitalization. Physiotherapeutic interventions such as early mobilization, therapeutic exercises, and functional rehabilitation, combined with continuous medical monitoring, demonstrated a positive impact on preserving functionality and reducing complications associated with prolonged bed rest. Multiprofessional integration proved essential to optimize functional recovery, reduce complications, and improve clinical outcomes. Conclusion: The interdisciplinary approach between physical therapy and medicine is essential for managing the effects of immobilization in hospitalized and critically ill patients. Structured and early evidence-based protocols contribute to preserving functional capacity, reducing complications, and improving clinical and functional outcomes.
Keywords: Immobilization; Physical Therapy Modalities; Inpatients.
A disfunção do organismo humano associada ao imobilismo hospitalar é uma condição frequente em pacientes críticos e em indivíduos submetidos a longos períodos de repouso no leito, caracterizada por alterações musculoesqueléticas, cardiovasculares, respiratórias e metabólicas que comprometem de forma significativa a função global e a capacidade de recuperação funcional. Esse fenômeno está fortemente relacionado à imobilidade prolongada, à resposta inflamatória sistêmica e ao estado hipercatabólico induzido pela doença aguda, fatores que contribuem para perda de massa muscular, redução da força e piora do desempenho funcional durante a internação hospitalar [1–3]. A presença dessas alterações está associada a piores desfechos clínicos, incluindo maior tempo de hospitalização, maior dependência funcional e aumento da mortalidade em pacientes críticos [4].
Em pacientes hospitalizados, especialmente em unidades de terapia intensiva, o imobilismo não deve ser compreendido como um fator isolado, mas como parte de um conjunto de alterações sistêmicas induzidas pela doença grave e pelo ambiente hospitalar. O desuso muscular leva a atrofia precoce, redução da síntese proteica e disfunção neuromuscular, podendo ser identificado já nos primeiros dias de internação, com impacto direto na capacidade funcional global do paciente [2,5]. Além disso, o processo inflamatório sistêmico e as alterações metabólicas intensificam o catabolismo muscular, agravando a fraqueza adquirida e dificultando a recuperação clínica e funcional [3,6].
No sistema musculoesquelético, o imobilismo prolongado promove redução progressiva de força, massa e resistência muscular, especialmente em músculos antigravitacionais, resultando em declínio funcional significativo. Essas alterações comprometem a mobilidade, a independência nas atividades de vida diária e aumentam o risco de complicações secundárias, como quedas e incapacidade funcional persistente após a alta hospitalar [4,7]. Paralelamente, adaptações fisiológicas decorrentes do desuso contribuem para piora da eficiência muscular e limitação da capacidade de esforço físico [5,8].
No sistema cardiovascular e respiratório, a inatividade prolongada está associada à redução do volume sistólico, diminuição da capacidade aeróbica e descondicionamento cardiorrespiratório, o que compromete a tolerância ao esforço e retarda a recuperação funcional. Essas alterações também favorecem intolerância ortostática e piora da eficiência ventilatória, especialmente em pacientes críticos e idosos hospitalizados [6,9]. Tais efeitos são agravados pela permanência prolongada no leito, contribuindo para maior vulnerabilidade clínica [7,10].
No contexto inflamatório e metabólico, o imobilismo está associado a um estado de hipercatabolismo persistente, com aumento da degradação proteica e redução da síntese muscular, resultando em perda acelerada de massa magra. Esse processo é intensificado pela resposta inflamatória sistêmica da doença crítica, que contribui para disfunção metabólica e piora do estado nutricional do paciente [3,6,11]. Essas alterações metabólicas desempenham papel central na progressão da fraqueza adquirida no ambiente hospitalar.
Em pacientes críticos e no contexto da síndrome pós-internação, o impacto do imobilismo se estende além do período de hospitalização, sendo associado a déficits físicos, cognitivos e psicológicos persistentes. Essa condição, conhecida como síndrome pós-terapia intensiva, pode durar meses ou anos após a alta, comprometendo significativamente a qualidade de vida e a reintegração funcional do paciente [11]. Além disso, a fraqueza neuromuscular adquirida durante a internação contribui para pior prognóstico funcional e maior dependência de cuidados prolongados [12].
Descreveu-se os efeitos do imobilismo no organismo humano e suas repercussões sistêmicas em pacientes hospitalizados e críticos, com ênfase nos impactos musculoesqueléticos, cardiovasculares, respiratórios e metabólicos na recuperação funcional, destacando a importância da abordagem multiprofissional integrada entre medicina e reabilitação na prevenção, diagnóstico precoce e manejo dessas alterações no ambiente hospitalar.
Trata-se de uma revisão bibliográfica de caráter descritivo e analítico, conduzida na forma de revisão integrativa da literatura, conforme o referencial metodológico proposto por Whittemore e Knafl [13], que permite a síntese e análise crítica de estudos com diferentes delineamentos metodológicos. O processo de revisão foi desenvolvido de maneira sistematizada, contemplando a definição da questão de pesquisa, estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão, busca nas bases de dados, seleção dos estudos e síntese dos achados.
A estratégia de busca foi realizada nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), United States National Library of Medicine (PubMed), Scopus e Scientific Electronic Library Online (SciELO). A seleção dos estudos foi conduzida por meio de processo de triagem estruturado, apresentado em fluxograma conforme as recomendações do PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) [14].
Foram incluídos estudos publicados entre 2004 e 2021, considerando a relevância para a temática dos efeitos do imobilismo no organismo humano, abrangendo repercussões musculoesqueléticas, cardiovasculares, respiratórias, metabólicas e funcionais em pacientes hospitalizados, críticos e pós-operatórios, além de aspectos relacionados à recuperação funcional e atuação multiprofissional.
A formulação da questão norteadora foi estruturada com base na estratégia PICOTT (Population, Intervention, Comparison, Outcome, Time e Type of study), amplamente utilizada em revisões na área da saúde por permitir a organização sistemática dos elementos da investigação e direcionar a busca nas bases de dados [15]. Assim, definiu-se como questão orientadora: quais são os efeitos do imobilismo no organismo humano e suas repercussões sistêmicas em pacientes hospitalizados e críticos, e como a abordagem multiprofissional contribui para a recuperação funcional desses pacientes?
As buscas foram realizadas utilizando Descritores em Ciências da Saúde (DeCS/MeSH), incluindo “immobilization”, “bed rest”, “physical inactivity”, “muscle atrophy”, “critical illness”, “cardiorespiratory deconditioning”, “functional recovery” e “hospitalization”. A combinação dos termos foi realizada por meio dos operadores booleanos AND e OR, estruturando estratégias como: “bed rest” AND “muscle atrophy”; “physical inactivity” AND “critical illness”; “immobilization” AND “functional recovery”.
Foram considerados elegíveis estudos originais (ensaios clínicos e estudos observacionais), revisões sistemáticas, revisões integrativas e estudos de coorte que abordassem os efeitos do imobilismo no organismo humano, alterações musculoesqueléticas, cardiovasculares, respiratórias e metabólicas, além de estratégias de reabilitação e recuperação funcional no ambiente hospitalar. Foram incluídos artigos publicados em português, inglês e espanhol, com texto completo disponível.
Foram excluídos estudos realizados exclusivamente em contexto ambulatorial ou domiciliar sem relação com internação hospitalar, relatos de caso isolados, editoriais, opiniões de especialistas, resumos de congresso sem texto completo e duplicatas entre bases de dados.
A seleção dos estudos ocorreu em três etapas: (1) identificação nas bases de dados e remoção de duplicatas; (2) triagem por leitura de títulos e resumos; e (3) leitura completa dos artigos potencialmente elegíveis, com avaliação detalhada quanto aos efeitos do imobilismo nos sistemas corporais, desfechos funcionais e estratégias de reabilitação.
Todo o processo de busca, seleção e análise dos estudos foi realizado de forma independente por quatro revisores, no período de fevereiro a março de 2026, sem ocorrência de divergências entre os avaliadores.
A análise dos dados envolveu a extração e organização das informações referentes aos objetivos dos estudos, delineamento metodológico, características das populações estudadas, tempo de imobilização, alterações musculoesqueléticas, cardiovasculares, respiratórias e metabólicas, além de intervenções de reabilitação e desfechos funcionais.
Os resultados foram organizados para permitir análise crítica comparativa sobre os impactos sistêmicos do imobilismo e o papel das intervenções multiprofissionais na prevenção e recuperação funcional. A síntese dos dados foi realizada por meio de análise narrativa, com agrupamento dos achados conforme associação entre imobilidade, descondicionamento físico, disfunções sistêmicas e estratégias de reabilitação como mobilização precoce e exercício terapêutico.
Diante dos critérios estabelecidos, foram identificados 312 estudos nas bases selecionadas. Após a remoção de 64 duplicatas, permaneceram 248 artigos para triagem por títulos e resumos. Destes, 214 foram excluídos por não atenderem aos critérios de inclusão. Assim, 34 artigos foram avaliados na íntegra, resultando na inclusão final de 21 estudos nesta revisão integrativa (Figura 1).

Figura 1 – Fluxograma da busca de artigos selecionados para a revisão conforme recomendações PRISMA 2020.
O Quadro 1 sintetiza os estudos incluídos nesta revisão, contemplando diferentes delineamentos metodológicos, populações de pacientes hospitalizados, críticos e em pós-operatório, bem como a associação entre imobilismo prolongado e repercussões sistêmicas relevantes. Os trabalhos analisados incluem ensaios clínicos, estudos observacionais e revisões sistemáticas, com foco na relação entre inatividade física e suas consequências musculoesqueléticas, cardiovasculares, respiratórias e metabólicas, incluindo atrofia muscular, descondicionamento cardiorrespiratório, alterações metabólicas, fraqueza adquirida no ambiente hospitalar e síndrome pós-internação.
Quadro 1 – Síntese dos estudos utilizados na construção do presente artigo.
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Autor/ano |
Título (traduzido) |
Tipo de estudo |
Objetivo |
Desfecho |
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Puthucheary et al., 2021 |
Perda muscular aguda na doença crítica |
Coorte prospectiva |
Investigar atrofia muscular em UTI |
Sarcopenia precoce e fraqueza adquirida |
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Hermans et al., 2021 |
Neuromiopatia da doença crítica |
Revisão |
Estudar fraqueza neuromuscular |
Fraqueza prolongada pós-UTI |
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Rawal et al., 2020 |
Epidemiologia da síndrome pós-UTI |
Revisão sistemática |
Avaliar incidência e impacto |
Alta prevalência de sequelas |
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Morton et al., 2020 |
Adaptações musculares ao desuso |
Experimental |
Estudar resposta muscular ao desuso |
Atrofia e perda de função |
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Needham et al., 2020 |
Recuperação funcional em sobreviventes de UTI |
Coorte |
Avaliar recuperação pós-UTI |
Déficits funcionais persistentes |
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English & Paddon-Jones, 2019 |
Proteção da massa muscular no imobilismo |
Revisão |
Avaliar estratégias preventivas |
Exercício reduz perda muscular |
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Wall et al., 2019 |
Atrofia muscular por desuso |
Revisão |
Analisar mecanismos de atrofia |
Perda de massa e função muscular |
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Schefold et al., 2015 |
Inflamação na doença crítica |
Revisão |
Analisar resposta inflamatória |
Inflamação sistêmica persistente |
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Segers et al., 2015 |
Reabilitação precoce em pacientes críticos |
Revisão sistemática |
Avaliar efeitos da mobilização precoce em UTI |
Melhora funcional e redução de complicações |
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Parry & Puthucheary, 2015 |
Impacto do repouso prolongado no sistema musculoesquelético |
Revisão narrativa |
Analisar efeitos do imobilismo |
Perda de massa muscular e força |
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Falcão et al., 2015 |
Repercussões da imobilidade em idosos hospitalizados |
Estudo observacional |
Avaliar efeitos da imobilidade em idosos |
Declínio funcional e risco de dependência |
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Puthucheary et al., 2016 |
Disfunção metabólica na UTI |
Coorte |
Avaliar metabolismo em pacientes críticos |
Catabolismo aumentado |
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Levine et al., 2011 |
Inatividade e descondicionamento cardiovascular |
Experimental |
Avaliar efeitos da inatividade |
Redução de capacidade cardiovascular |
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Latronico & Bolton, 2011 |
Polineuropatia e miopatia crítica |
Revisão |
Analisar disfunção neuromuscular |
Fraqueza adquirida em UTI |
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Needham et al., 2013 |
Síndrome pós-terapia intensiva |
Revisão |
Definir e analisar PICS |
Déficits físicos e cognitivos |
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Dirks et al., 2013 |
Efeitos do repouso no metabolismo |
Revisão |
Avaliar alterações metabólicas do imobilismo |
Redução de síntese proteica e metabolismo |
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Perhonen et al., 2012 |
Atrofia cardíaca no repouso prolongado |
Experimental |
Investigar mudanças cardíacas |
Redução de massa cardíaca |
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Supinski GS, 2012 |
Disfunção muscular respiratória na doença crítica |
Revisão |
Avaliar fraqueza muscular respiratória |
Redução de força inspiratória |
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Jung et al., 2012 |
Disfunção diafragmática e falha de desmame |
Estudo clínico |
Avaliar falha de ventilação |
Associação com fraqueza diafragmática |
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Stein, 2011 |
Nutrição e perda muscular na UTI |
Revisão |
Avaliar impacto nutricional |
Desnutrição agrava sarcopenia |
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Herridge et al., 2011 |
Desfechos a longo prazo pós-UTI |
Coorte longitudinal |
Avaliar recuperação a longo prazo |
Limitação funcional persistente |
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Kortebein et al., 2008 |
Efeitos do repouso em idosos |
Ensaio clínico |
Avaliar impacto do bed rest |
Redução de força e desempenho físico |
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Levine et al., 2008 |
Atrofia do diafragma por ventilação mecânica |
Experimental |
Avaliar efeitos da ventilação mecânica |
Atrofia diafragmática precoce |
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Schweickert et al., 2009 |
Reabilitação precoce em pacientes ventilados |
Ensaio clínico randomizado |
Avaliar mobilização precoce em UTI |
Melhora funcional e redução de tempo de internação |
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Vassilakopoulos & Petrof, 2004 |
Disfunção diafragmática induzida por ventilador |
Revisão |
Estudar impacto da ventilação mecânica |
Fraqueza diafragmática induzida |
Os efeitos do imobilismo em pacientes hospitalizados e críticos representam uma condição altamente prevalente e clinicamente relevante, associada a alterações musculoesqueléticas, cardiovasculares, respiratórias e metabólicas que comprometem diretamente a funcionalidade e a recuperação global do paciente. Esses efeitos tornam-se mais pronunciados em ambientes hospitalares e unidades de terapia intensiva devido à combinação entre repouso prolongado no leito, sedação, ventilação mecânica, resposta inflamatória sistêmica e estado hipercatabólico, fatores que contribuem para rápida perda de massa muscular, redução da força e descondicionamento físico progressivo [1–3].
Os estudos incluídos nesta revisão demonstram que o imobilismo não deve ser interpretado apenas como consequência inevitável da hospitalização, mas como importante determinante de desfechos clínicos adversos, incluindo perda funcional, aumento do tempo de internação, fraqueza adquirida na UTI, redução da independência funcional e pior prognóstico clínico [2–5]. Em pacientes críticos e pós-operatórios, observa-se impacto direto sobre a capacidade funcional, tolerância ao esforço, mobilidade e recuperação precoce, prolongando o período de reabilitação e retardando o retorno às atividades habituais [4,6]. Além disso, a associação entre imobilidade e descondicionamento sistêmico contribui para maior incidência de complicações secundárias, como intolerância ortostática, complicações respiratórias e limitações funcionais persistentes após a alta hospitalar [5,7].
No sistema musculoesquelético, os achados demonstram que o desuso muscular decorrente do repouso prolongado leva à atrofia precoce e significativa, principalmente em músculos antigravitacionais e de sustentação postural. A redução da síntese proteica e o aumento do catabolismo muscular favorecem rápida perda de força e resistência física, impactando diretamente a mobilidade e a capacidade funcional global do paciente [3,6]. Estudos envolvendo idosos hospitalizados evidenciam que mesmo curtos períodos de imobilidade já são suficientes para gerar declínio funcional importante e aumento do risco de dependência física prolongada [4,8].
No contexto cardiovascular e respiratório, o imobilismo prolongado promove redução da capacidade aeróbica, diminuição do volume sistólico e importante descondicionamento cardiorrespiratório, comprometendo a tolerância ao esforço físico e dificultando o processo de recuperação funcional [6,9]. Além disso, a permanência prolongada no leito favorece alterações hemodinâmicas e redução da eficiência ventilatória, especialmente em pacientes críticos submetidos à ventilação mecânica ou em recuperação pós-operatória [7,10]. Essas alterações contribuem para pior desempenho funcional e maior vulnerabilidade clínica durante a hospitalização.
No aspecto metabólico e inflamatório, observou-se que o imobilismo está diretamente associado ao aumento do estado hipercatabólico e da resposta inflamatória sistêmica, intensificando a degradação proteica e favorecendo perda acelerada de massa muscular [3,11]. Em pacientes críticos, essas alterações são potencializadas pela doença de base, pela ventilação mecânica prolongada e pela redução da atividade física, agravando a fragilidade clínica e dificultando a recuperação funcional [5,11]. A combinação entre inflamação sistêmica, desnutrição e desuso muscular configura importante mecanismo para o desenvolvimento da fraqueza adquirida no ambiente hospitalar.
A fisioterapia exerce papel central na prevenção e no manejo das repercussões sistêmicas do imobilismo, atuando diretamente na preservação da função musculoesquelética, cardiorrespiratória e funcional. Estratégias como mobilização precoce, exercício terapêutico, mudanças de decúbito, fortalecimento muscular e reabilitação funcional apresentam impacto significativo na redução da perda muscular e na melhora da capacidade funcional de pacientes hospitalizados [6–8]. A implementação precoce dessas intervenções está associada à redução do tempo de internação, melhora da mobilidade e otimização da recuperação funcional [7,9].
A integração entre fisioterapia e medicina mostrou-se essencial para o manejo seguro e eficaz desses pacientes, especialmente no que se refere à estabilização clínica, monitorização hemodinâmica e definição do momento adequado para início da mobilização e reabilitação funcional. A atuação médica garante suporte clínico adequado e controle das condições de base, enquanto a fisioterapia atua de forma ativa na prevenção do descondicionamento e recuperação funcional, permitindo intervenções mais individualizadas, seguras e eficazes [9–11].
O cuidado multiprofissional assume papel determinante nesse cenário, uma vez que os efeitos do imobilismo envolvem múltiplos sistemas e não podem ser abordados de forma isolada. A atuação conjunta entre medicina, fisioterapia, enfermagem, nutrição e demais profissionais da saúde permite um manejo mais abrangente, envolvendo suporte clínico, manutenção do estado nutricional, estímulo à mobilidade precoce e prevenção de complicações associadas ao repouso prolongado [10–12]. Nesse contexto, a fisioterapia ocupa posição estratégica na recuperação funcional e na redução dos impactos sistêmicos do imobilismo hospitalar.
Entre os pontos fortes desta revisão, destaca-se a análise integrada das repercussões sistêmicas do imobilismo, incluindo alterações musculoesqueléticas, cardiovasculares, respiratórias e metabólicas, bem como a discussão do papel da fisioterapia dentro da abordagem multiprofissional. Entretanto, algumas limitações devem ser consideradas, como a heterogeneidade metodológica dos estudos incluídos, diferenças nos tempos de imobilização avaliados e variações nos protocolos de mobilização precoce e reabilitação funcional, fatores que dificultam a padronização dos achados e sua generalização para diferentes contextos hospitalares [4,7,11].
Os achados reforçam que o manejo do imobilismo hospitalar deve ser precoce, estruturado e baseado em abordagem integrada, combinando estabilização clínica, mobilização precoce e estratégias contínuas de reabilitação funcional desde os primeiros dias de internação. Essa abordagem contribui para preservação da capacidade funcional, redução de complicações secundárias, melhora da independência funcional e otimização da recuperação global do paciente.
Além disso, observa-se a necessidade de ampliação de estudos que investiguem protocolos mais específicos de mobilização precoce, exercício terapêutico e estratégias de prevenção do descondicionamento físico em diferentes perfis de pacientes hospitalizados. Estudos longitudinais também são necessários para avaliar os impactos do imobilismo a longo prazo e sua influência sobre a qualidade de vida e funcionalidade após a alta hospitalar.
Sob uma perspectiva ampliada do cuidado hospitalar, a preservação da funcionalidade não depende exclusivamente da interação entre medicina e fisioterapia, mas da atuação coordenada de toda a equipe multiprofissional. A enfermagem contribui para posicionamento adequado e estímulo à mobilidade no leito, a nutrição atua na manutenção da massa muscular e do estado metabólico, e demais profissionais reforçam estratégias de reabilitação funcional. Esse conjunto de ações integradas potencializa os efeitos das intervenções terapêuticas e promove melhores desfechos clínicos e funcionais [16–19].
Dessa forma, o manejo dos efeitos do imobilismo em pacientes hospitalizados e críticos exige abordagem interdisciplinar estruturada, com protagonismo da fisioterapia na recuperação funcional e atuação médica fundamental na estabilização clínica e no suporte terapêutico, sendo essa integração essencial para redução de complicações, melhora dos desfechos e promoção de uma recuperação funcional mais eficiente e sustentável [20, 21].
A implementação de protocolos assistenciais interdisciplinares, envolvendo medicina, fisioterapia e demais profissionais da equipe multiprofissional, favorece maior segurança na condução da mobilização precoce e da reabilitação funcional, otimiza o processo de recuperação global e reduz complicações associadas à internação prolongada. Nesse cenário, a fisioterapia se consolida como elemento central no cuidado hospitalar, atuando diretamente na preservação da mobilidade, prevenção da fraqueza adquirida no ambiente hospitalar e recuperação da independência funcional.
Apesar dos avanços identificados, ainda persistem lacunas relacionadas à padronização dos protocolos de mobilização precoce, definição da intensidade e duração ideais das intervenções fisioterapêuticas e escassez de estudos que avaliem os impactos do imobilismo e da reabilitação funcional em longo prazo após a alta hospitalar. Dessa forma, torna-se necessário o desenvolvimento de novos estudos clínicos e revisões robustas que fortaleçam as evidências disponíveis e aprimorem a prática interdisciplinar no contexto hospitalar, com foco na otimização dos desfechos clínicos, funcionais e da qualidade de vida dessa população.
Viu-se que os efeitos do imobilismo em pacientes hospitalizados e críticos estão diretamente associados a desfechos clínicos desfavoráveis, como perda acelerada de massa muscular, redução da capacidade funcional, descondicionamento cardiovascular e respiratório, prolongamento do tempo de internação e pior recuperação funcional. Nesse contexto, a atuação integrada entre fisioterapia e medicina mostra-se essencial para o manejo adequado desses pacientes, uma vez que permite a identificação precoce das alterações funcionais, a estratificação de risco clínico e a implementação de intervenções direcionadas à preservação da funcionalidade e à recuperação global durante a hospitalização.
As evidências analisadas demonstram que intervenções fisioterapêuticas estruturadas, especialmente aquelas baseadas em mobilização precoce, exercícios terapêuticos, fortalecimento muscular e reabilitação funcional, quando associadas ao acompanhamento clínico e monitoramento médico contínuo, contribuem de forma significativa para a melhora da capacidade funcional, redução do descondicionamento físico e otimização dos desfechos clínicos em pacientes hospitalizados e críticos. Além disso, tais intervenções auxiliam na mitigação dos efeitos deletérios do repouso prolongado no leito, da ventilação mecânica e da resposta inflamatória sistêmica sobre os sistemas musculoesquelético, cardiovascular e respiratório.
Os autores declaram não haver conflitos de interesse.
Financiamento
Os autores declaram não haver financiamento.
Contribuição dos autores
Concepção e desenho da pesquisa: Oliveira SA, Belizário LR, Martins LG, Aquino SLAF. Redação do manuscrito: Oliveira SA, Belizário LR, Martins LG. Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante: Aquino SLAF, Oliveira SA, Belizário LR, Martins LG.
Referências
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