Fisioter Bras. 2026;27(3):3382-3402
doi: 10.62827/fb.v27i3.1173

REVISÃO

Efeitos da mobilização precoce em pacientes críticos internados em unidade de terapia intensiva: Revisão narrativa

Eduarda Cintra Esquivel1, Luiz Fernando Prado Pacheco1, Stephani Quirino Bastos1, Victor Levi da Silva Conceição1, Fábio Cavalcanti Araujo1

1Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL), São Paulo, SP, Brasil

Recebido em: 8 de Maio de 2026; Aceito em: 18 de Maio de 2026.

Correspondência: Stephani Quirino Bastos, stephaniquirino15@gmail.com

Como citar

Esquivel EC, Pacheco LFP, Bastos SQ, Conceição VLS, Araujo FC. Efeitos da mobilização precoce em pacientes críticos internados em unidade de terapia intensiva: Revisão narrativa. Fisioter Bras. 2026;27(3):3382-3402. doi: 10.62827/fb.v27i3.1173.

Resumo

Introdução: A mobilização precoce tem sido amplamente utilizada em pacientes críticos internados em unidades de terapia intensiva, visando minimizar os efeitos deletérios do imobilismo prolongado, sendo considerada uma intervenção fisioterapêutica segura e eficaz para pacientes críticos. Objetivo: Realizou-se uma revisão narrativa sobre as abordagens de mobilização precoce utilizadas atualmente e identificou-se seus efeitos e benefícios em pacientes internados na unidade de terapia intensiva (UTI). Métodos: Trata-se de uma revisão narrativa, realizada por meio de buscas nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (Scielo), Physiotherapy Evidence Database (PEDro), internacional na base de dados U.S. National Library of Medicine (PubMed/ MEDLINE), utilizou-se livros acadêmicos da área de fisioterapia para fundamentação teórica e contextualização do tema. Foram identificados e analisados 35 artigos, dos quais 9 foram excluídos por não atenderem aos critérios de inclusão pré-determinados. Ao final, priorizando evidências científicas recentes, foram incluídos 26 estudos, publicados entre o período de 2014-2025 para compor a análise. Resultados: Os estudos analisados demonstraram que a mobilização precoce promove benefícios respiratórios, musculares, cardiovasculares e neurológicos, reduzindo assim os efeitos deletérios da síndrome do imobilismo. Conclusão: A mobilização precoce apresenta-se como uma abordagem segura e eficaz quando aplicada em pacientes críticos, contribuindo para a recuperação funcional, e redução das complicações associadas ao imobilismo prolongado.

Palavras-chave: Mobilização Precoce; Unidades de Terapia Intensiva; Reabilitação; Modalidades de Fisioterapia; Cuidados Críticos.

Abstract

Effects of early mobilization in critically ill patients admitted to the intensive care unit: Narrative review

Introduction: Early mobilization has been widely used in critically ill patients admitted to intensive care units, aiming to minimize the deleterious effects of prolonged immobility, and is considered a safe and effective physiotherapy intervention for critically ill patients. Objective: A narrative review was conducted on the early mobilization approaches currently used, identifying their effects and benefits in patients admitted to the intensive care unit (ICU). Methods: This is a narrative review, carried out through searches in the Scientific Electronic Library Online (SciELO), Physiotherapy Evidence Database (PEDro), internationally in the U.S. National Library of Medicine (PubMed/MEDLINE) databases. Academic books in the field of physiotherapy were used for theoretical foundation and contextualization of the topic. Thirty-five articles were identified and analyzed, of which nine were excluded for not meeting the predetermined inclusion criteria. Finally, prioritizing recent scientific evidence, 26 studies published between 2014 and 2025 were included in the analysis. Results: The studies analyzed demonstrated that early mobilization promotes respiratory, muscular, cardiovascular, and neurological benefits, thus reducing the deleterious effects of immobility syndrome.
Conclusion: Early mobilization presents itself as a safe and effective approach when applied to critically ill patients, contributing to functional recovery and reducing complications associated with prolonged
immobility.

Keywords: Early Ambulation; Intensive Care Units; Rehabilitation; Physiotherapy Modalities; Critical Care.

Introdução

Por volta dos anos 1940-1999 com a criação das UTis e uso da sedação profunda os pacientes entravam em repouso absoluto gerando questionamentos sobre os riscos, com isso, os primeiros protocolos de mobilização precoce foram aplicados gerando uma resposta positiva sobre a melhora do paciente, na última década a mobilização precoce foi ganhando visibilidade e teve um progresso significativo, através de ensaios clínicos foi estudado a sua eficácia [1].

A mobilização precoce (MP) é uma intervenção realizada por fisioterapeutas em pacientes internados na UTI, envolvendo movimentação ativa e/ou passiva, com objetivo de diminuir ou prevenir comprometimento funcional decorrente do tempo de internação, por conta da particularidade dos pacientes é necessário ter cautela sobre aqueles que serão submetidos a MP assim verificando qual tipo de paciente receberá o tratamento. estudos demonstram que pacientes adultos internados em UTI clínica ou cirúrgica por pelo menos 72 horas, podendo estar em respiração espontânea ou que necessitam de 48 horas ou mais de ventilação mecânica, pacientes sem hipertensão intracraniana, com estabilidade hemodinâmica estão aptos a realizar MP. A implementação da mobilização precoce se faz necessária visando um bom prognóstico. Portanto, o fisioterapeuta deve conhecer as causas que ocasionam a fraqueza adquirida na UTI e entender qual abordagem terá um impacto positivo para o paciente. Dessa forma, se torna imprescindível uma avaliação cuidadosa, para compreender o estado geral do paciente, para que a abordagem seja feita de forma segura e eficaz.

Os parâmetros de referência devem ser verificados antes do início da mobilização. No aspecto cardiovascular, frequência cardíaca (entre 40 e 130 bpm), pressão arterial sistólica (entre 90 e 180 mmHg), e pressão arterial média (entre 60 e 110 mmHg). Do ponto de vista respiratório, recomenda-se que a frequência respiratória esteja entre 5 e 40 incursões por minuto, e saturação periférica de oxigênio seja superior a 88%. Caso o paciente esteja utilizando ventilação mecânica (VM), é indicado que a fração inspirada de oxigênio não ultrapasse 60% e que a pressão expiratória final positiva (PEEP) seja inferior a 10 cmH2O. Do ponto de vista neurológico, não apresentar aumento da pressão intracraniana, não apresentar resistência a realizar as atividades propostas, ser capaz de compreender e executar os comandos impostos adequadamente [1].

A estabilidade hemodinâmica do indivíduo durante a mobilização é o fator primordial. pode haver leve alteração durante a execução da mobilização; no entanto, se forem de baixa frequência e reversíveis com a interrupção da intervenção, a mobilização é considerada segura. Quanto aos critérios de segurança, estão restritos a mobilização precoce pacientes com hipertensão intracraniana (devido ao risco de ocorrer o aumento da pressão e acarretar consequências irreversíveis), crises convulsivas não controladas, trombose venosa profunda (pela possibilidade de deslocar o trombo), feridas abdominais abertas (em virtude do aumento da pressão intra-abdominal), infarto agudo do miocárdio recente (principalmente nas primeiras horas, aumentando o risco de extensão do infarto), fraturas instáveis (levando o risco de deslocamento ósseo e lesão de tecidos adjacentes) e doenças terminais pelo risco de fadiga extrema [1].

A mobilização precoce vem sendo amplamente estudada em pacientes críticos, pós-operatórios, e com condições neurológicas. Seus benefícios são consistentes, tanto visando parâmetros fisiológicos, quanto em âmbitos clínicos e funcionais, com base em ensaios clínicos e revisões sistemáticas. Seus efeitos fisiológicos no âmbito respiratório, visam a prevenção de complicações respiratórias associadas ao tempo de imobilidade, como atelectasias, hipoxemia, redução do tempo de ventilação mecânica em pacientes críticos, melhora da ventilação alveolar e oxigenação mantendo como parâmetro de referência a saturação de oxigênio em >88%. Nos aspectos musculares, a mobilização precoce atua como fator protetor prevenindo atrofias, fraqueza muscular, associadas ao imobilismo prolongado, promove maior independência funcional, acelerando o retorno a deambulação. Em relação ao sistema cardiovascular, auxilia na melhora do condicionamento por meio de exercícios ativos, auxilia a manutenção da estabilidade hemodinâmica, reduz o risco de complicações circulatórias e eventos tromboembólicos, portanto são observados parâmetros de segurança que permitem que a prática seja realizada de forma segura sem riscos adversos graves. No âmbito neurológico, incluem critérios de segurança como ausência de hipertensão intracraniana, capacidade de obedecer a comandos, preservação da responsividade neurológica, reduz delirium e melhora da cognição associada aos protocolos de interrupção da sedação, a literatura mostra que a prática contribui para uma melhora global da recuperação neurológica, e funcional em período de pós alta.

Do ponto de vista terapêutico os efeitos são amplos, os pacientes que foram submetidos aos protocolos da mobilização precoce apresentam maior funcionalidade e independência, auxiliando na melhora da execução das atividades diárias, outro achado importante está relacionado aos índices de mortalidade que de acordo com a literatura, alguns estudos apontam a mobilização precoce como um fator protetor da mortalidade hospitalar e em até 28 dias após, por fim, a prática favorece o prognóstico positivo, pacientes mobilizados precocemente apresentam melhor prognóstico de recuperação de força muscular, maior alcance funcional, maior chance de retorno a deambulação.

Segundo Moreira et al. [2] , mobilização passiva de membros superiores e inferiores, uma vez por dia, com estabelecimento de cinco repetições para cada movimento realizado. De forma ativo assistida, otimizar mudanças posturais no leito, transferência assistida para a poltrona e exercícios como ponte de quadril também podem ser propostos. Otimizar a aquisição de posturas antigravitacionais como sedestação beira-leito e postura ortostática, trabalhar a descarga de peso em MMII com atividades pré-marcha e marcha estacionária. Este modo de abordagem se mostrou eficaz e seguro para os pacientes internados em UTI, pois reduziu no tempo total de internação dos pacientes e promoveu a saída precoce do leito.

De acordo com Patel BK et al. [3] , a mobilização progressiva deve começar com exercícios de amplitude de movimento e ir avançando para atividades mais complexas no leito de acordo com a tolerância e estabilidade do paciente. Exercícios e pistas podem ser utilizados para estimular o acompanhamento de comandos, aumentar e interação com o paciente e estimular tarefas funcionais. A mobilização precoce se apresenta como a primeira intervenção conhecida para aspectos da incapacidade a longo prazo, incluindo fraqueza neuromuscular e qualidade de vida relacionada à saúde física.

Realizou-se uma revisão narrativa sobre as abordagens de mobilização precoce utilizadas atualmente e identificar seus efeitos e benefícios em pacientes internados em UTI.

Métodos

Está presente revisão narrativa tem como objetivo discutir amplamente as abordagens e efeitos da mobilização precoce, permitindo análise descritiva e interpretativa da literatura.

O levantamento foi feito nas bases de dados: Scientific Electronic Library Online (Scielo), Physiotherapy Evidence Database (PEDro), internacional na base de dados U.S. National Library of Medicine (PubMed/MEDLINE). Foram utilizados descritores em ciências da saúde (DeCS) em português e inglês “mobilização precoce” (“early mobilization”), “unidade de terapia intensiva” (“intensive care unit”), “modalidades da fisioterapia” (“physical therapy modalities”), “reabilitação” (“rehabilitation”) e “cuidados críticos” (“critical care”).
Os termos foram combinados por meio dos operadores booleanos “AND e OR”. Entre o período de 2014-2025, além de artigos científicos, foram incluídos livros acadêmicos da área de fisioterapia utilizados para fundamentação teórica e contextualização do tema, nos idiomas português e inglês que abordam os efeitos da mobilização precoce em pacientes internados na UTI.

Foram excluídos estudos que abordassem a pediatria ou o público neonatal.

O processo inicial da seleção dos estudos foi realizado através da leitura dos trabalhos encontrados nas bases de dados, em seguida os estudos elegíveis foram submetidos a uma leitura integral para verificação dos critérios de inclusão e exclusão.

Após a escolha dos estudos as principais informações foram extraídas através de fichamentos organizados em: título, ano de publicação, objetivo, intervenções fisioterapêuticas aplicadas, efeitos fisiológicos, efeitos terapêuticos e resumos.

Os dados extraídos foram analisados de forma descritiva visando identificar os principais benefícios da mobilização precoce e sua aplicabilidade clínica, destacando seus efeitos funcionais e a contribuição efetiva da atuação da fisioterapia.

Resultados

A busca estratégica nas bases de dados resultou em 1.043 registros iniciais. Após o processo de triagem e elegibilidade (Figura 1), foram selecionados 26 artigos científicos que compuseram o corpo dessa revisão. A análise dos estudos selecionados demonstrou a predominância de abordagens de mobilização precoce em pacientes acima de 18 anos. Entre as abordagens mais citadas destaca-se a implementação de exercícios ativos e com aplicação de resistência, mobilizações passivas, deambulação precoce e exercícios respiratórios.

Os principais desfechos observados incluem melhora funcional significativa quanto à redução de complicações relacionadas ao repouso prolongado, aumento da mobilidade e força muscular, atenuando a fraqueza adquirida e impactando diretamente no aumento da independência funcional, corroborando para a alta hospitalar.

Figura 1 – Fluxograma do processo de seleção de textos da revisão narrativa sobre os efeitos da mobilização precoce em pacientes críticos internados em unidade de terapia intensiva.

Quadro 1 – Dados dos estudos analisados: autor, ano, objetivo do estudo, intervenção, efeitos fisiológicos e terapêuticos.

AUTOR (ANO)

OBJETIVO

INTERVENÇÃO

EFEITOS

FISIOLÓGICOS

EFEITOS
TERAPÊUTICOS

Jungmin Lee et al. (2025)

Avaliar os efeitos de um programa de mobilização precoce com participação de enfermeiros sobre a força muscular e o tempo de internação na UTI, além de identificar os componentes dessas intervenções.

Elevação da cabeceira, exercícios de amplitude de movimento (ADM), mudança de decúbito (rolamento), sedestação (beira do leito), ortostatismo, deambulação precoce.

Redução da fraqueza muscular adiquirida na UTI, redução de complicações respiratórias, redução do declínio funcional e estabilidade hemodinâmica.

Redução significativa do tempo de internação na UTI, melhora da mobilidade funcional, redução do tempo para primeira mobilização.

Syed A Khan. et al (2025)

Avaliar os efeitos da mobilização precoce iniciada em até 72 horas após a admissão na UTI em pacientes críticos por meio de uma revisão sistemática e meta-análise atualizada.

Mobilização precoce (ativa ou passiva), exercícios de amplitude de movimento, mudanças de posição, estimulação neuromuscular, treinamento de mobilidade no leito, treino de equilíbrio, uso de dispositivos como elevadores de pacientes, protocolos progressivos de mobilidade precoce.

Redução da atrofia muscular associada à imobilidade.

Redução do tempo de internação na UTI (≈ -1,02 dias), redução da duração da ventilação mecânica (≈ -1,07 dias), melhora da recuperação funcional, redução do tempo de recuperação global, não aumento de eventos adversos, não aumento da mortalidade.

J. Clin. Med. (2025)

Avaliar o impacto da mobilização precoce na incidência de fraqueza muscular adquirida na UTI (ICU-AW) em pacientes com sepse, além de avaliar a viabilidade de um estudo multicêntrico de maior porte.

Mobilização precoce passiva e ativa, sedestação, ortostatismo, treino de marcha, deambular com auxílio, reabilitação pulmonar, exercícios respiratórios, tosse assistida, VNI quando necessário, estimulação elétrica muscular e uso de leito com inclinação quando necessário.

Redução da disfunção neuromuscular, atenuação da inflamação associada a sepse, estímulo do ciclo de contração/extensão muscular.

Melhora da função física (SPPB), melhora das atividades de vida diária (índice de Barthel), redução de complicações pulmonares, maior taxa de alta, melhor independência funcional e redução da incidência de fraqueza adquirida na UTI (ICU-AW).

Moreira
et al. (2025)

Analisar e comparar os custos hospitalares, os efeitos clínicos e os riscos da aplicação de um protocolo de mobilização precoce de baixo custo em pacientes críticos, em comparação com a fisioterapia convencional em UTI.

Mobilização passiva de membros superiores e inferiores; mobilização ativo-assistida; treino de transferência no leito; exercícios de ponte; treino de equilíbrio de tronco; sedestação à beira leito; transferência para poltrona; ortostatismo; exercícios pré-marcha; descarga de peso em membros inferiores; marcha estacionária e treino funcional progressivo.

Melhora da ativação muscular, prevenção da fraqueza adquirida na UTI, redução do descondicionamento físico, prevenção de contraturas articulares, melhora da função cardiorrespiratória e redução das complicações associadas ao imobilismo, como perda de massa muscular e dificuldade no desmame ventilatório.

Retirada precoce do leito, observada em 97% dos pacientes do grupo tratamento contra apenas 3% do grupo controle, redução do tempo de permanência na UTI, redução do tempo de ventilação mecânica (clinicamente relevante), melhora da funcionalidade e independência do paciente crítico.

LIMA, Lucas et al. (2025)

Comparar a mobilidade funcional de pacientes neurocríticos em ventilação mecânica invasiva submetidos à mobilização precoce desde a admissão até a alta da UTI, além de avaliar desfechos ventilatórios e clínicos.

Dividido em três fases: mobilização passiva, exercícios ativos/assistidos e deambulação assistida.

Redução do risco de miopatia e polineuropatia, e estabilidade hemodinâmica.

Melhora significativa da mobilidade, redução da restrição ao leito, aumento da capacidade funcional, 85% de sucesso no desmame ventilatório e 95% de alta da UTI.

Suzuki
et al. (2024)

Avaliar se um elevador de pacientes móvel facilita a mobilização precoce de
pacientes ventilados em UTI.

Mobilização precoce estruturada, treinamento ortostático, uso do protocolo ABCDE (despertar, respiração, coordenação, delirium e mobilização), uso do elevador Golvo9000.

Ativação da musculatura postural (principalmente músculos do tronco), estímulo da coordenação neuromuscular, aumento do recrutamento muscular.

Redução do tempo para atingir a postura ortostática, melhora do estado funcional, aumento de mobilidade.

Yen HC
et al., 2024

Avaliar o impacto de diferentes protocolos de mobilização precoce (mobilização fora do leito versus posicionamento vertical progressivo) nos resultados funcionais de pacientes com traumatismo cranioencefálico moderado a grave internados em UTI.

No grupo experimental incluíram progressão funcional estruturada com exercícios no leito evoluindo para atividades fora do leito, como sentar com cabeceira elevada acima de 60°, sentar à beira do leito, ortostatismo com treino de equilíbrio e deambulação conforme tolerância. Já no grupo controle foram realizados exercícios passivos e ativo-assistidos, mobilização no leito, reabilitação torácica, treino de rolar e posicionamento progressivo com elevação do tronco entre 30° e 90°, além de estímulos sensoriais e treino de controle de tronco. Ambos os grupos receberam sessões de 30 minutos, 5 vezes por semana.

Melhora na mobilidade (escore Perme), aumento da independência funcional motora (FIM-motor) e melhor preservação da massa muscular esquelética (SMI), além de redução do tempo de ventilação mecânica e menor tempo de internação na UTI.

Melhora significativa da capacidade funcional, maior independência nas atividades de vida diária e melhor recuperação global dos pacientes, com impacto direto na redução do tempo de internação e na recuperação clínica mais rápida.

PATEL, Bhakti K.
et al. (2023)

Determinar se a mobilização precoce poderia reduzir as taxas de comprometimento cognitivo e outros aspectos da incapacidade um ano após a doença crítica em pacientes submetidos à ventilação mecânica.

Mobilização progressiva, iniciando com exercícios de amplitude de movimento, evoluindo para mobilidade no leito, sedestação, ortostatismo, marcha estacionária e deambulação, além de treino de atividades de vida diária (como higiene e vestir-se) com participação conjunta de fisioterapeuta e terapeuta ocupacional

Redução da fraqueza adquirida na UTI, melhora da função física (avaliada pelo SF-36) e menor incidência de delirium e comprometimento neuromuscular.

Redução significativa do comprometimento cognitivo após 1 ano (24% no grupo intervenção vs 43% no grupo controle), melhora da qualidade de vida física e melhor recuperação funcional global.

WANG
et al. (2023)

“Avaliar os efeitos da mobilização precoce (MP) em pacientes de unidade de terapia intensiva

(UTI).”

Mobilização passiva no leito, exercícios ativos e ativo assistido, sedestação beira leito, ortostatismo, deambulação precoce, treino de marcha, exercícios de equilíbrio e cicloergômetro.

Melhora a circulação sanguínea e aumento do recrutamento muscular.

Melhora funcional global, redução do delirium, diminuição da PAV, TVP e úlceras por pressão.

Patel
et al. (2023)

“Estabelecer se a mobilização precoce pode reduzir as taxas de comprometimento cognitivo e outros aspectos da incapacidade 1 ano após a doença crítica.”

“Mobilização progressiva começando com amplitude de movimento e

avançando para atividades de mobilidade na cama, transferindo-se

para uma posição ereta, sentando-se, ficando em pé, marchando no lugar e

caminhando. Enquanto estavam sentados, os pacientes participaram de

atividades da vida diária e praticaram tarefas funcionais.”

“Efeitos anti-inflamatórios da atividade física e aumento da secreção de miocinas, com possível regulação do metabolismo e da função cerebral.”

Menor comprometimento cognitivo em 1 ano com mobilização precoce; Menor comprometimento cognitivo já na alta hospitalar; Maior independência funcional na alta hospitalar; Melhor qualidade de vida no componente físico após 1 ano; Sem diferença estatisticamente significativa após 1 ano para independência funcional, componente mental da qualidade de vida e dias livres de institucionalização, redução de sedação excessiva, Menor isolamento social precoce

Cordeiro
et al. (2022)

Avaliar o impacto da mobilização precoce nos desfechos clínicos e funcionais em pacientes submetidos à cirurgia de revascularização do miocárdio.

Cinesioterapia passiva, realizar transferência do leito para poltrona no 1º dia pós-operatório e deambular no 2º dia.

Melhora da ventilação, circulação, metabolismo, estado de alerta e manutenção da força muscular.

“Redução do tempo de ventilação mecânica, menor tempo de UTI e hospital, melhora da independência funcional e capacidade de caminhada.”

RIBERHOL, Christian G. et al. (2021)

Avaliar se a mobilização precoce com inclinação da cabeça para cima é segura e viável em pacientes com traumatismo cranioencefálico grave internados em UTI neurológica.

Exercícios ortostáticos precoces, mobilização limitada (leito/cadeira), exercícios respiratórios, mudança de decúbito e mobilização precoce progressiva.

Ativação cardiovascular e neuroendócrina, prevenção do descondicionamento, estímulo da autorregulação cerebral.

Possível melhora funcional e segurança sem aumento de eventos adversos.

Menges
et al. (2021)

“Determinar a eficácia da mobilização precoce sistemática na melhoria da força muscular e da função física em pacientes de unidade de terapia intensiva (UTI) submetidos à ventilação mecânica.”

Exercícios passivos, ativos e resistidos, treino de marcha e atividade de vida diária.

Ativação muscular e melhora da circulação.

Redução do risco de fraqueza adquirida na UTI, melhora da capacidade funcional e mobilidade, possível redução do tempo em ventilação mecânica.

WANG
et al. (2020)

“Avaliar os efeitos da mobilização precoce no prognóstico de pacientes em estado crítico por meio de uma meta análise de dados reunidos de estudos que atendem aos critérios de inclusão.”

Exercícios ativos assistidos e livres, mobilizações passivas no leito, sedestação beira leito, ortostatismo, deambulação precoce, ciclo ergômetro e treino funcional progressivo.

Diminuição da atrofia muscular, diminuição da fraqueza adquirida na UTI, aumento da circulação sanguínea, diminuição do risco de TVP e redução das complicações respiratórias.

Melhora da força muscular e independência funcional, redução das complicações adquiridas na UTI (PAV, TVP, úlceras de pressão), redução do tempo em VM e redução do período de internação hospitalar.

ZANG
et al. (2020)

“O objetivo desta meta-análise foi avaliar se a mobilização e reabilitação precoces na unidade de terapia intensiva (UTI) poderiam reduzir a fraqueza adquirida na UTI (FA-UTI), melhorar a recuperação funcional, aumentar a força muscular, encurtar o tempo de internação na UTI e no hospital e reduzir a taxa de mortalidade.”

Exercícios passivos e ativos, treino funcional no leito, mudanças no posicionamento e transferências realizadas no leito, ortostatismo e deambulação, eletroterapia e cicloergômetro.

Fortalecimento muscular, melhora da ventilação.

Diminuição da fraqueza muscular adquirida na UTI, aumento da independência funcional, diminuição no risco de TVP e diminuição do tempo de internação, diminuição do risco de (PAV) e úlcera por pressão.

Zhang
et al. (2019)

“Avaliar as evidências disponíveis sobre o efeito da mobilização precoce em pacientes críticos internados em unidade de terapia intensiva (UTI).”

Exercícios ativos e ativos assistidos, mobilização funcional (sedestação, ortostatismo e deambulação), cicloergômetro no leito, programas de reabilitação física precoce.

Melhora da função muscular periférica e melhora da circulação.

Aumento da capacidade funcional, aumento da distância de caminhada da alta hospitalar, aumento da taxa de alta hospitalar.

Eggmann
et al. (2018)

Avaliar os efeitos de uma intervenção de reabilitação progressiva precoce em adultos mecanicamente ventilados em risco.

“Programa de TER precoce e progressivo combinado com mobilização precoce e exercícios resistidos.”

“Aumento Frequência cardíaca (FC), aumento Pressão arterial média (PAM) e aumento do Consumo de oxigênio (VO2).”

Melhora da saúde mental após 6 meses.

Sarfati et al. (2018)

Investigar se a inclinação passiva somada a uma terapia de reabilitação padronizada melhorou a força na alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Terapia diária de reabilitação padronizada com inclinação sobre uma mesa por pelo menos 1 hora.

Aumento da ventilação pulmonar, melhora do estado de alerta, prevenção da perda de massa muscular, estímulo antigravitacional e melhor recrutamento neuromuscular.

Melhora da recuperação muscular durante a internação, recuperação mais rápida da força muscular e redução da fraqueza adquirida ao longo do tempo.

McWilliams et al. (2018)

Explorar a viabilidade de uma reabilitação mais precoce e aprimorada para pacientes ventilados mecanicamente por 5 dias e avaliar o impacto em possíveis medidas de resultados de longo prazo para uso em um ensaio definitivo.

Programa estruturado, com progressão ao longo de um protocolo de mobilidade de base funcional de acordo com critérios de segurança definidos.

Redução da perda de massa muscular, melhora da função neuromuscular, estímulo precoce do sistema musculoesquelético, possível redução de dias de ventilação mecânica (tendência) e ativação precoce do sistema cardiorrespiratório.

Maior nível de mobilidade na alta da UTI (MMS 7 vs 5), maior capacidade de deambulação (73% vs 47%), melhora da funcionalidade, melhora da qualidade de vida (componente mental do SF-36 em 3 meses), melhor organização do tratamento (metas e plano estruturado) e maior adesão à terapia.

E. P. M. de Almeida et al. (2017)

Avaliar a eficácia, viabilidade e segurança de um programa de mobilização precoce pós operatória na capacidade funcional, qualidade de vida e desfechos clínicos.

Exercícios aeróbicos, ativos, resistidos, treino de marcha, progressão conforme capacidade, uso de cicloergômetro, exercícios isométricos e isotônicos.

Melhora da resistência cardiopulmonar, força muscular, redução da fadiga.

Melhora da capacidade funcional, menor fadiga, melhor qualidade de vida e maior desempenho no teste de caminhada.

Tipping et al. (2017)

“Determinar o efeito da mobilização ativa e da

reabilitação na UTI sobre a mortalidade, a função, a mobilidade, a força muscular, a qualidade de vida, os dias vivos e fora do hospital até 180 dias, o tempo de permanência na UTI e no hospital, a duração da ventilação mecânica e o destino da alta, relacionando os resultados com a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) da Organização Mundial da Saúde.”

Exercícios passivos, ativos e resistidos no leito; Sedestação beira leito, ortostatismo, deambulação, transferência para poltrona e treinamento funcional.

Redução de fraqueza adquirida na UTI, aumento de força muscular e possível melhora da capacidade funcional do sistema músculo esquelético.

Deambulação independente na alta hospitalar, aumento de dias vivo fora do hospital, aumento de força muscular na alta da UTI.

Stephen
et al. (2017)

Avaliar se uma maior intensidade de terapia de reabilitação física na UTI (reabilitação intensiva), em comparação com a reabilitação padrão, melhora a recuperação física a longo prazo em pacientes críticos, especialmente em relação à qualidade de vida física após 6 meses, medida pelo componente físico do questionário SF-36.

Exercícios personalizados, treinamento funcional e fortalecimento muscular, fisioterapia respiratória em ambos os grupos e mobilização progressiva (sedestação, ortostatismo e deambulação).

Prevenção da atrofia muscular associada à imobilidade, influência na função física global e capacidade funcional.

Melhora da mobilidade e independência funcional, potencial melhora da capacidade de exercício, redução do impacto da imobilização prolongada.

Hodgson
et al. (2016)

Determinar se a intervenção de mobilização precoce dirigida por objetivos poderia ser aplicada a pacientes que recebem ventilação mecânica com níveis máximos de atividade aumentados em comparação com o tratamento padrão.

Mobilização precoce direcionada a objetivos, que compreendeu tratamento de reabilitação funcional conduzido no mais alto nível de atividade possível (caminhar, ficar em pé, sentar e rolar) para aquele paciente avaliado pela escala de mobilidade da UTI enquanto recebia ventilação mecânica.

Aumento do recrutamento muscular, melhora da mecânica respiratória e combate aos efeitos do repouso prolongado no leito.

Aumento da mobilidade funcional e melhor progressão funcional durante a internação, melhora da função muscular.

TAITO, Shunsuke
et al., 2016

Examinar os protocolos, os critérios de inclusão e exclusão, a eficácia e segurança, bem como os obstáculos à implementação da mobilização precoce de pacientes em ventilação mecânica na UTI.

Exercícios de amplitude de movimento (passivos e ativos), mobilização no leito e fora do leito, sedestação, ortostatismo e deambulação, treinamento funcional, exercícios resistidos, reabilitação progressiva e aplicação do protocolo (ABCDE).

Preservação da função física, redução do tempo de delirium e redução do tempo de VM.

Aumento da independência funcional na alta hospitalar, melhora na capacidade de exercício, melhora da qualidade de vida, redução de complicações associadas a imobilização.

Castro et al. (2015)

“Determinar o efeito da reabilitação precoce no estado funcional de pacientes internados em UTI/Unidade de Cuidados Intermediários (UCI).”

Amplitude de movimento passiva e ativa, cicloergômetro, exercício à beira leito, transferência da cama para poltrona, marcha estacionária, deambulação, prancha ortostática, exercícios resistidos e estimulação elétrica muscular.

Melhora da circulação, perfusão central e periférica. Melhora da ventilação e do metabolismo muscular e prevenção de trombose venosa e estase venosa.

Maior independência física na alta hospitalar.

PATEL, Bhakti K. et al. (2014)

Determinar se a mobilização precoce afeta o controle glicêmico e, consequentemente, a
necessidade de insulina exógena em pacientes críticos.

Mobilização precoce dentro de 72 horas, incluindo exercícios no leito, sedestação, ortostatismo e progressão funcional, associada ao protocolo de controle glicêmico com insulina.

Melhora da sensibilidade à insulina, redução da hiperglicemia, manutenção da euglicemia com menor necessidade de insulina e possível efeito anti-inflamatório.

Redução significativa da fraqueza adquirida na UTI (até 82%), diminuição da necessidade de insulina e melhora da funcionalidade dos pacientes.

Observa-se que os objetivos dos autores, de forma geral, são avaliar e determinar a viabilidade das abordagens propostas, a fim de mensurar seus efeitos, benefícios e aplicabilidade na prática clínica. Entre as formas de intervenção destaca-se a implementação de exercícios associados à aplicação de resistência, treino de equilíbrio, deambulação precoce, marcha estacionária, atividades com cicloergômetro, e fisioterapia respiratória.

No aspecto fisiológico, evidencia-se melhora nas funções cardiovasculares, metabólicas, musculares e neurológicas. Quanto aos efeitos terapêuticos, observou-se melhora funcional global significativa quanto à redução de complicações relacionadas ao repouso prolongado e utilização de ventilação mecânica invasiva, incluindo redução do tempo de utilização, prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica e redução da incidência de úlceras por pressão.

Os achados demonstram de forma clara e objetiva os efeitos benéficos da mobilização precoce em pacientes internados em unidades de terapia intensiva. É possível visualizar e compreender o impacto positivo na melhora funcional dos indivíduos, destacando a importância da intervenção precoce em pacientes submetidos a internação por períodos prolongados.

Discussão

A mobilização precoce em pacientes críticos internados em UTI constitui uma intervenção terapêutica fundamental na prevenção dos efeitos deletérios da síndrome do imobilismo. O imobilismo prolongado pode estar associado à sedação e à ventilação mecânica, sendo fatores determinantes para o desenvolvimento de declínio funcional, fraqueza adquirida na UTI e agravamento do quadro clínico. A análise dos estudos evidencia que os efeitos da mobilização precoce ultrapassam os benefícios restritos à esfera musculoesquelética, abrangendo repercussões significativas nos sistemas respiratório, cardiovascular, neurológico e metabólico, resultando em impactos clínicos relevantes, como a redução do tempo de ventilação mecânica, da permanência hospitalar e a melhora da recuperação funcional. Quando indicada e conduzida de forma criteriosa, essa intervenção se mostra não apenas segura e eficaz, mas também de alto valor clínico durante a internação em UTI.

McWilliams et al. [20], Castro et al. [26], Tipping et al. [22] e Zhang et al. [16] evidenciam, no que se refere aos desfechos funcionais, melhora significativa da mobilidade, da independência funcional e da capacidade de deambulação. McWilliams et al. [20] destacam maior nível de mobilidade e taxa de deambulação, 73% dos pacientes apresentaram capacidade de deambulação em comparação a 47% dos pacientes que foram submetidos ao tratamento convencional,enquanto Castro et al. [26] demonstram aumento da independência física. Da mesma forma, Tipping et al. [22] e Zhang et al. [16] associam a mobilização precoce ao aumento da capacidade funcional e retorno à marcha. Observa-se, portanto, concordância entre os estudos quanto aos benefícios funcionais, embora haja variações na magnitude dos resultados encontrados.

Zang et al. [15], Wang J. et al. [14], Menges et al. [13] e Moreira et al. [2] apontam que a mobilização precoce exerce papel fundamental na prevenção da fraqueza adquirida na UTI, evidenciando redução da atrofia muscular, melhora da força e preservação da função neuromuscular. Nesse contexto, Wang J. et al.[14] , Menges et al. [13] e Moreira et al. [2] relatam redução significativa da fraqueza, enquanto Zang et al. [15] enfatiza principalmente a prevenção e a recuperação funcional global. Adicionalmente, Patel BK. et al. [27] demonstra uma redução de até 82% defraqueza adiquirida na UTI, sugerindo que fatores como intensidade e precocidade da intervenção podem influenciar diretamente esses desfechos.

Cordeiro et al. [11], Wang J. et al. [14], Syed A. Khan [5] e McWilliams et al. [20] demonstram, na esfera respiratória, que a mobilização precoce está associada à melhora da ventilação alveolar, redução de complicações pulmonares e diminuição do tempo de ventilação mecânica. Wang J. et al. [14] e Syed A. Khan [5] relatam redução significativa desse tempo, enquanto Cordeiro et al. [11] também associa esse efeito à menor permanência hospitalar. Em contrapartida, McWilliams et al. [20] evidenciam apenas uma tendência de redução do tempo de ventilação mecânica, sem significância estatística, indicando divergência entre os achados e sugerindo possível influência de fatores como tamanho amostral e protocolos adotados. Ainda na esfera respiratória, Cordeiro et al.[11] , Wang J. et al. [14] e Syed A. Khan [5] apresentam convergência ao associar a mobilização precoce à melhora da função pulmonar e redução de complicações respiratórias.

Eggmann et al. [17] relatam que, no âmbito cardiovascular, o aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial e do consumo de oxigênio deve ser interpretado como resposta fisiológica aos exercícios terapêuticos realizados. Em contrapartida, outros estudos não descrevem alterações hemodinâmicas relevantes, concentrando-se predominantemente nos benefícios funcionais. Essa divergência sugere que tais alterações devem ser compreendidas como respostas esperadas ao exercício terapêutico, e não como efeitos adversos, desde que haja monitorização adequada.

Patel BK. et al. [3], Taito et al. [25] e Wang L. et al. [10] indicam que a mobilização precoce pode contribuir para a redução do delirium e melhora da função cognitiva. Patel BK. et al.[3] relatam melhora da qualidade de vida a longo prazo com redução do comprometimento cognitivo para 24% no grupo intervenção em comparação a 43% do grupo controle, enquanto Wang L. et al. [10] também observam redução do delirium e melhora funcional, e Taito et al. [25] apontam diminuição do tempo de delirium. No entanto, Patel BK. et al. [3] evidenciam que alguns desses desfechos não mantêm significância após um ano, indicando que os efeitos cognitivos podem variar entre os estudos e ao longo do tempo.

Hodgson et al. [24] e Moreira et al. [2] destacam que, apesar da variedade de protocolos utilizados na mobilização precoce, incluindo mobilizações passivas, exercícios ativos, ortostatismo, treino de marcha e uso de dispositivos auxiliares, é fundamental que as intervenções sejam individualizadas e baseadas nos critérios clínicos de cada paciente. Nesse sentido, Hodgson et al. [24] defendem protocolos guiados por objetivos com progressão funcional individualizada, enquanto Moreira et al. [2] enfatizam a utilização de protocolos estruturados e padronizados de baixo custo. Apesar dessas diferenças metodológicas, ambos concordam que a organização e a adequação da intervenção ao paciente são determinantes para a eficácia terapêutica.

Neste estudo apresentou-se a limitação sobre encontrar um protocolo padrão de mobilização precoce entre os estudos analisados, gerando uma dificuldade de comparação direta entre os estudos analisados, pois entre eles temos uma variedade considerável em relação a intervenção feita, intensidade, frequência das aplicações e duração das intervenções. Além disso as intervenções foram feitas em diferentes unidades de terapia intensivas com diferentes profissionais e diferentes perfis clínicos dos pacientes.

Esta revisão tem como potencialidades evidências científicas recentes publicadas entre 2014 e 2025, permitindo realizarmos uma análise atualizada sobre os efeitos da mobilização precoce em pacientes internados na UTI, nos permitindo aprender diferentes abordagens terapêuticas e efeitos fisiológicos e terapêuticos. Proporcionando uma visão ampla sobre a atuação do fisioterapeuta na terapia intensiva.

Conclusão

A presente revisão atingiu seu objetivo ao analisar as abordagens de mobilização precoce utilizadas atualmente. Embora para a fisioterapia, ainda existam limitações relacionadas ao perfil do paciente elegível e protocolos padronizados para o seu perfil, a revisão narrativa possibilitou identificar que as principais abordagens utilizadas atualmente contribuem para a prevenção das complicações decorrentes do imobilismo prolongado, melhora da capacidade funcional e qualidade de vida dos pacientes internados. Dessa forma, evidenciou-se que a aplicação segura e eficaz da mobilização precoce depende da avaliação clínica adequada e da atuação integrada da equipe multiprofissional.

Conflito de interesses

Os autores declaram não haver conflito de interesses.

Financiamento

Os autores declaram não haver financiamento.

Contribuição dos autores

Concepção e desenho da pesquisa: Esquivel EC, Bastos SQ, Conceição VLS; Obtenção de dados: Esquivel EC, Bastos SQ, Conceição VLS; Análise e interpretação dos dados: Esquivel EC, Pacheco LFP, Bastos SQ, Conceição VLS; Redação do manuscrito: Esquivel EC, Bastos SQ; Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante: Conceição VLS, Esquivel EC, Bastos SQ.

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