Enferm Bras. 2026;25(1):3082-3091
doi: 10.62827/eb.v25i1.4205

REVISÃO

Estratégias na Prevenção de Lesões por Pressão na Unidade de Terapia Intensiva: Revisão Integrativa da Literatura

Vanessa Pereira Xavier1, Márcia de Abreu Moura Melo1, Jenifer Costa Mendes2, Rafael Pires Silva2, Marianne Cardoso Batalha2, Glycia de Almeida Nogueira2, Bianca Campos Oliveira2, Patrícia Britto Ribeiro de Jesus2

1Centro Universitário Celso Lisboa (UCL), Rio de Janeiro, RJ, Brasil

2Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Recebido em: 13 de Dezembro de 2025; Aceito em: 2 de Abril de 2026.

Correspondência: Vanessa Pereira Xavier, vanessa.p.xavier@hotmail.com

Como citar

Xavier VP, Melo MAM, Mendes JC, Silva RP, Batalha MC, Nogueira GA, Oliveira BC, Jesus PBR. Estratégias na Prevenção de Lesões por Pressão na Unidade de Terapia Intensiva: Revisão integrativa da literatura. Enferm Bras. 2026;25(1):3082-3091 doi: 10.62827/eb.v25i1.4205.

Resumo

Introdução: Nos últimos anos, diversas alterações na integridade da pele de pacientes acamados têm favorecido o desenvolvimento de lesões por pressão (LP) durante a hospitalização em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), o que ressalta a importância de práticas adequadas de acolhimento, avaliação e manejo desses pacientes. Objetivo: descrever na literatura científica evidências sobre as principais ocorrências no acometimento da pele que poderão acarretar lesões por pressão em pacientes acamados dentro das Unidades de Terapia Intensiva. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida em seis etapas estruturadas, incorporando as recomendações da declaração PRISMA 2020 para garantir maior rigor metodológico e transparência no processo investigativo. Resultados: Foram encontrados 09 artigos que atendiam aos critérios de inclusão onde por meio da leitura exaustiva, formaram-se duas categorias temáticas onde uma aborda sobre os fatores de risco e outra sobre as estratégias de prevenção em lesões por pressão. Conclusão: Os achados desta revisão evidenciaram que o desenvolvimento de lesões por pressão em pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva está diretamente relacionado a fatores como imobilidade, gravidade clínica, tempo prolongado de internação e uso de dispositivos invasivos, confirmando o caráter multifatorial dessas lesões.

Palavras-chave: Lesão por Pressão; Unidade de Terapia Intensiva; Prevenção e Controle.

Abstract

Strategies for the Prevention of Pressure Injuries in the Intensive Care Unit: An Integrative Literature Review

Introduction: In recent years, various changes in the skin integrity of bedridden patients have contributed to the development of pressure injuries (PI) during hospitalization in Intensive Care Units (ICUs), highlighting the importance of proper assessment, care, and management. Objective: To identify scientific evidence regarding the main conditions that contribute to the development of pressure injuries in bedridden patients within ICUs. Methods: An integrative literature review was conducted following a six-step structured method and incorporating the PRISMA 2020 recommendations to ensure methodological rigor and transparency. Results: Nine articles that met the inclusion criteria were found, and through exhaustive reading, two thematic categories were formed, one addressing risk factors and the other addressing prevention strategies for pressure injuries. Conclusion: The findings of this review showed that the development of pressure injuries in patients admitted to Intensive Care Units is directly related to factors such as immobility, clinical severity, prolonged length of stay, and the use of invasive devices, confirming the multifactorial nature of these lesions.

Keywords: Pressure Ulcer; Intensive Care Units; Prevention and Control.

Resumen

Estrategias en la Prevención de Úlceras por Presión en la Unidad de Cuidados Intensivos: Revisión Integrativa de la Literatura

Introducción: En los últimos años, diversas alteraciones en la integridad de la piel de pacientes encamados han favorecido la aparición de úlceras por presión (UP) durante la hospitalización en Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), destacando la importancia de un adecuado acogimiento, evaluación y manejo de estos pacientes. Objetivo: Identificar en la literatura científica las principales condiciones que contribuyen al desarrollo de úlceras por presión en pacientes encamados dentro de las UCI. Métodos: Revisión integradora de la literatura realizada siguiendo seis etapas estructuradas e incorporando las recomendaciones de la declaración PRISMA 2020 para asegurar mayor rigor metodológico y transparencia. Resultados: Se encontraron 09 artículos que cumplían con los criterios de inclusión y, mediante una lectura exhaustiva, se formaron dos categorías temáticas, una que aborda los factores de riesgo y otra sobre las estrategias de prevención de las lesiones por presión. Conclusión: Los hallazgos de esta revisión evidenciaron que el desarrollo de lesiones por presión en pacientes hospitalizados en Unidades de Cuidados Intensivos está directamente relacionado con factores como la inmovilidad, la gravedad clínica, la estancia hospitalaria prolongada y el uso de dispositivos invasivos, confirmando el carácter multifactorial de estas lesiones.

Palabras-clave: Úlcera por Presión; Unidad de Cuidados Intensivos; Prevención y Control.

Introdução

Nos últimos anos, diversas ocorrências no acometimento da pele do paciente acamado têm ocasionado o surgimento de lesões por pressão (LP) durante o tratamento em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), evidenciando a importância de boas condições de acolhimento e manejo desses pacientes [1,2]. Compreender as condições de saúde de uma população, juntamente com seus determinantes, tendências e dados relacionados ao processo saúde-doença, é fundamental para o planejamento de ações e a tomada de decisões estratégicas. Esse conhecimento promove a melhoria da qualidade da atenção e aperfeiçoa os serviços prestados.

A ocorrência de eventos adversos, como lesões por pressão têm sido temas amplamente debatidos nos últimos 15 anos nos campos da saúde, educação, pesquisa e na sociedade em geral [3]. A incidência de eventos adversos representa um problema sério, cujos impactos negativos influenciam diretamente na mortalidade, morbidade e qualidade de vida, afetando os pacientes em diversas situações de cuidado em saúde. [4,5] Um dos eventos mais frequentes é a lesão por pressão (LP), caracterizada pelo comprometimento da pele ou do tecido subjacente devido à ação de pressão, atrito ou cisalhamento sobre a área afetada. Essa condição costuma surgir principalmente em regiões com proeminências ósseas ou sob dispositivos médicos [6].

No Brasil, estudos realizados em Unidades de Terapia Intensiva demonstram incidência relevante de lesão por pressão, com valores em torno de 11,4% entre pacientes críticos, estando associada ao tempo de permanência prolongado na UTI [7]. Em São Paulo, em ambiente hospitalar geral, a incidência foi de 9,9% nos hospitais públicos e 4,1% nos privados, sendo maior nos pacientes internados em UTI (≈10%) [8].

Ademais, outro estudo nacional indicou altos índices de incidência e prevalência de LP, variando entre 20% e 60%, evidenciando sua relevância como problema de saúde pública. Portanto, a ocorrência de lesões por pressão em pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pode variar entre diferentes instituições hospitalares, uma vez que o surgimento dessas lesões está ligado tanto às condições clínicas e características individuais dos pacientes quanto às especificidades da própria unidade, evidenciando sua natureza multifatorial.

Pacientes críticos internados em unidades de terapia intensiva apresentam múltiplos fatores de risco para o desenvolvimento de lesões por pressão, sendo essa condição de caráter multifatorial. Nesse contexto, o reconhecimento precoce desses fatores permite a implementação de intervenções preventivas eficazes, contribuindo para a redução da incidência dessas lesões. [5].

Considerando que as Lesões por Pressão são caracterizadas pela perda da integridade da pele, representando um grande desafio para a assistência em saúde, pois comprometem significativamente a qualidade de vida dos pacientes, tem-se o problema de pesquisa que versa sobre compreender a gravidade dessas lesões e seus impactos em termos de morbimortalidade, prolongamento da internação e custos assistenciais, que ainda representam um desafio, especialmente em ambientes de baixa ou média renda onde os dados são escassos [9].

O objetivo principal deste estudo é descrever na literatura científica evidências sobre as principais ocorrências no acometimento da pele que poderão acarretar lesões por pressão em pacientes acamados dentro das Unidades de Terapia Intensiva.

Métodos

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura [10], cuja questão norteadora foi: Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de lesões por pressão em pacientes críticos internados em Unidade de Terapia Intensiva e quais as estratégias preventivas mais eficazes?

A estratégia de busca foi estruturada utilizando-se os operadores booleanos AND e OR, resultando na seguinte equação: (“Pressure Injury” OR “Pressure Ulcer” OR “Pressure Sore”) AND (“Intensive Care Units” OR “Critical Care” OR “ICU”) AND (“Bedridden Persons” OR “Immobility” OR “Restricted Mobility”). Como critérios de inclusão, definiram-se artigos originais provenientes de estudos observacionais, publicados nos últimos seis anos, redigidos em inglês, português ou espanhol, e que respondessem diretamente à questão norteadora da pesquisa. Por sua vez, foram excluídos teses, dissertações, documentos de literatura cinzenta, relatos de caso, revisões narrativas e estudos cujo cenário não fosse a Unidade de Terapia Intensiva.

A busca dos artigos foi realizada em três bases de dados: LILACS; PubMed/ Medline e BDENF. A síntese e análise são apresentadas abaixo em forma de fluxograma, de acordo com os principais itens para relatar revisões sistemáticas e metanálises (PRISMA, 2020).

A análise dos dados foram realizadas de forma descritiva através da análise de conteúdo e apresentados através de uma síntese narrativa em forma de quadro.

Figura 1 – Fluxograma Prisma

Fonte: Autores, 2025.

Resultados

A fim de sintetizar as principais evidências científicas, elaborou-se o Quadro 2, que contempla a análise detalhada dos 9 estudos selecionados para este trabalho. Essa sistematização permite compreender como diferentes autores abordaram a temática, evidenciando as contribuições científicas acerca das práticas de prevenção, de seus impactos na assistência de enfermagem e da importância do papel da equipe de enfermagem nesse contexto.

Quadro 2 – Caracterização dos artigos segundo autores/ano, título, objetivo, método e principais resultados.

Autor/Ano

Título

Objetivo

Método

Principais Resultados

Labeau et al., 2021 [11]

Prevalence, associated factors and outcomes of pressure injuries in adult ICU patients

Determinar prevalência e fatores associados às lesões por pressão em UTIs

Estudo multicêntrico internacional (DecubICUs)

Prevalência global de 26,6%; 16,2% adquiridas na UTI; associação com gravidade clínica

Sala et al., 2021[4]

Predictors of pressure injury development in critically ill adults

Identificar fatores preditores de lesão por pressão

Coorte retrospectiva

Imobilidade, ventilação mecânica e tempo de internação aumentam o risco

Campos et al., 2021[5]

Risco de lesões por pressão em pacientes de UTI

Avaliar risco de LP em pacientes críticos

Estudo transversal

Alta incidência associada a pacientes com mobilidade reduzida e uso de dispositivos

Ferreira et al., 2021[8]

Lesões por pressão nos cuidados intensivos

Analisar ocorrência de LP em UTI

Estudo observacional

Elevada incidência e associação com tempo prolongado de internação

Citolino et al., 2023[6]

Correlação entre escala de Braden e marcadores bioquímicos

Avaliar relação entre risco e indicadores clínicos

Estudo analítico

Escala de Braden mostrou forte correlação com desenvolvimento de LP

Almeida et al., 2023[12]

Registros de enfermagem sobre lesão por pressão em UTI

Analisar registros assistenciais

Estudo documental

Falhas nos registros impactam prevenção e manejo das lesões

Nobrega et al., 2023[9]

Conhecimento de enfermagem sobre prevenção de LP

Avaliar conhecimento profissional

Estudo transversal

Déficit de conhecimento influencia diretamente na incidência

Rodrigues et al., 2021[3]

Incidência e fatores relacionados à LP em UTI

Identificar fatores associados

Estudo observacional

Fatores clínicos e organizacionais influenciam diretamente o surgimento

Lucas et al., 2021[14]

Aplicabilidade de protocolo de prevenção

Avaliar protocolo preventivo

Estudo aplicado

Redução significativa na incidência após implementação de protocolo

Fonte: Autores, 2025.

Foram analisados nove artigos publicados entre 2021 e 2023, com predominância de estudos observacionais. Dentre eles, identificaram-se delineamentos como um estudo multicêntrico internacional, coorte retrospectiva, estudos transversais, analíticos, observacionais e documental, além de um estudo aplicado voltado à implementação de protocolo. Os estudos contemplaram diferentes abordagens metodológicas, incluindo avaliação de prevalência, identificação de fatores de risco, análise de registros assistenciais, avaliação do conhecimento da equipe de enfermagem e investigação da aplicabilidade de instrumentos e protocolos na prática clínica.

De modo geral, os estudos evidenciam elevada prevalência e incidência de lesões por pressão em pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva, com associação consistente a fatores como imobilidade, gravidade clínica, tempo prolongado de internação e uso de dispositivos invasivos, reforçando seu caráter multifatorial. Observou-se também a relevância de instrumentos preditivos, como a escala de Braden, na identificação precoce do risco. Além disso, fatores organizacionais e assistenciais, como falhas nos registros de enfermagem e déficit de conhecimento profissional, mostraram impacto direto na prevenção e manejo dessas lesões. Por outro lado, a implementação de protocolos preventivos demonstrou reduzir significativamente sua incidência, destacando a importância da sistematização do cuidado na prática assistencial.

Assim, os artigos serão discutidos à luz das categorias temáticas emergidas a partir da leitura dos artigos na íntegra, a saber: lesão por pressão e os principais fatores de risco e estratégias na prevenção de lesões por pressão.

Discussão

Lesão por pressão e os principais fatores de risco

Os estudos analisados evidenciam que a ocorrência de lesões por pressão (LPP) em pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) está diretamente relacionada a múltiplos fatores de risco. Destacam-se, nesse cenário, a imobilidade, a gravidade clínica, o tempo prolongado de internação, o uso de dispositivos invasivos, além de marcantes alterações nutricionais e hemodinâmicas.

No que tange aos preditores clínicos, um estudo multicêntrico (11) mostrou que a gravidade do quadro e a permanência prolongada na UTI estão intrinsecamente associadas ao surgimento dessas lesões [11]. Essa suscetibilidade é agravada pela imobilidade no leito e pela necessidade de ventilação mecânica, condições que atuam como fortes preditores para o declínio da integridade cutânea em pacientes críticos [4]. Somada a isso, a elevada dependência funcional e as instabilidades clínicas severas elevam exponencialmente o risco de ulceração [5, 8].

Para mitigar tais agravos, a avaliação contínua por meio da Escala de Braden demonstra associação significativa com a identificação precoce de alterações clínicas [3]. Contudo, a literatura aponta que a gênese da LPP não se restringe às vulnerabilidades biológicas do paciente. Fatores organizacionais, o dimensionamento da equipe e o nível de conhecimento dos profissionais de enfermagem influenciam diretamente nos indicadores de incidência [6, 9].

Portanto, compreende-se que a ocorrência de lesões por pressão é um fenômeno multifatorial, no qual variáveis fisiológicas se entrelaçam a aspectos administrativos e estruturais da unidade. Diante disso, é importante estruturar estratégias de prevenção que vão além da aplicação de escalas de avaliação de risco, englobando a gestão do cuidado, a educação permanente da equipe e a otimização dos recursos para a efetiva manutenção da integridade da pele.

Estratégias De Prevenção Da Lesão Por Pressão

As estratégias de prevenção da lesão por pressão estão diretamente relacionadas à identificação precoce dos fatores de risco e à implementação de intervenções direcionadas, sendo a atuação proativa dos profissionais de saúde um dos pilares essenciais para prevenir danos teciduais.

Um dos pilares dessa prática é a avaliação sistemática do risco, realizada por meio de implementação de intervenções preventivas precoces e direcionadas e utilização de instrumentos de avaliação, como escalas de risco, que contribuem para a implementação de estratégias preventivas individualizadas [4,5].

Reforça-se assim a aplicação da escala de Braden como ferramenta essencial para identificação precoce de risco e prevenção de lesões [6], pois ao aplicá-la em sua integralidade consegue-se atentar a fatores importantes que serão preditores do desenvolvimento assim como estruturar medidas preventivas a partir dessa avaliação inicial. Preferencialmente, a aplicação da Escala de Braden deverá ser implementada na admissão do paciente na unidade ao se iniciar o exame físico da pele durante o Processo de Enfermagem.

Dessa forma, aplicando-se o processo de enfermagem conforme referem os autores, favorece diretamente a qualidade dos registros de enfermagem, influenciando diretamente a continuidade do cuidado e a efetividade das ações preventivas [12]. Sabe-se, porém, que para a sua aplicação, é importante a capacitação dos profissionais de enfermagem para que a mesma possa ser utilizada da maneira correta e para isso acontecer é preciso haver o conhecimento adequado que estará diretamente relacionado à adoção de práticas preventivas adequadas [9].

Para o conhecimento dos profissionais de enfermagem ser o suficiente para que possam aplicar o processo de enfermagem associado à adoção da escala de Braden, espera-se que a instituição possua medidas educativas, como a educação continuada. Além da atuação contínua dos enfermeiros desse setor, é necessária a implementação de protocolos estruturados como estratégia eficaz, contribuindo para a redução da incidência de lesões por pressão em unidades de terapia intensiva [13,14].

Nesse contexto, destaca-se a importância da avaliação do conhecimento dos profissionais de enfermagem como estratégia fundamental para a prevenção de lesões por pressão. Instrumentos validados, como o Pressure Ulcer Knowledge Assessment Tool (PUKAT), permitem mensurar o nível de conhecimento acerca da etiologia, classificação e medidas preventivas dessas lesões, contribuindo para a identificação de lacunas na formação profissional [15].

De forma complementar, o teste de Pieper [16] tem sido amplamente utilizado para avaliar o conhecimento sobre prevenção, estadiamento e manejo das lesões por pressão entre profissionais de saúde. A utilização dessas ferramentas favorece a implementação de estratégias educativas direcionadas, impactando diretamente na qualidade da assistência e na redução da incidência dessas lesões.

Assim, destaca-se o papel central da enfermagem na avaliação contínua do risco, na implementação de medidas preventivas — como mudança de decúbito, cuidado com a pele e manejo de dispositivos — e na sistematização do cuidado, sendo sua atuação determinante para a redução da incidência de lesões por pressão em UTI. Ademais, a implementação de protocolos assistenciais mostrou-se eficaz na diminuição desses eventos, reforçando a importância de práticas baseadas em evidências [15].

Conclusão

Os achados desta revisão evidenciaram que o desenvolvimento de lesões por pressão em pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva está diretamente relacionado a fatores como imobilidade, gravidade clínica, tempo prolongado de internação e uso de dispositivos invasivos, confirmando o caráter multifatorial dessas lesões. Observou-se, ainda, que a identificação precoce do risco, por meio de instrumentos como a escala de Braden, associada à capacitação da equipe de enfermagem, constitui elemento essencial para a prevenção.

Além disso, os estudos analisados demonstraram que a implementação de protocolos assistenciais estruturados, aliada à sistematização do cuidado e à qualidade dos registros de enfermagem, contribui significativamente para a redução da incidência de lesões por pressão em ambientes críticos.

Enfim, entende-se que as implicações para a prática da Enfermagem reforçam a necessidade de adoção de estratégias baseadas em evidências, com ênfase na avaliação contínua do risco, na padronização de condutas preventivas e na qualificação profissional por meio da avaliação do conhecimento. Tais medidas favorecem a gestão do cuidado em Unidades de Terapia Intensiva, promovendo segurança do paciente e melhoria na qualidade da assistência.

Conflitos de Interesse

Os autores declaram não haver conflito de interesse.

Fontes de Financiamento

Não houve financiamento.

Contribuição dos autores

Concepção e desenho da pesquisa: Melo MAM, Xavier VP, Jesus PBR; Redação do manuscrito: Xavier VP, Jesus PBR, Melo MAM, Mendes JC, Silva RP, Nogueira GA, Batalha MC, Oliveira BC; Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual: Jesus PBR, Batalha MC, Nogueira GA, Oliveira BC.

Referências

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